O luxo de um look nem sempre está na roupa
Existe uma ideia na moda que eu gosto muito: você não precisa estar vestida dos pés à cabeça com peças caras para transmitir uma imagem sofisticada. Na verdade, depois de tantos anos trabalhando com moda e, principalmente, mostrando que é possível se vestir bem com peças acessíveis, percebi que muitas vezes o verdadeiro segredo de um look está nos detalhes.
E é aí que entram os acessórios.
Uma camiseta branca, uma calça jeans, um vestido de verão, ou até aquele conjunto que você encontrou em uma loja de departamento podem ganhar uma aparência completamente diferente dependendo da forma como você finaliza a produção.
Um cinto bem escolhido, uma bolsa estruturada, um brinco bonito, um relógio, um óculos de sol ou até um lenço conseguem mudar a leitura daquela roupa. É quase como se os acessórios colocassem um ponto final na frase.

FOTO: Acervo pessoal
Eu sou apaixonada pelo conceito de hi-low justamente por isso. Gosto de misturar peças acessíveis com outras mais especiais, mas acredito que existe uma confusão quando falamos sobre esse assunto: para fazer um bom hi-low, você não precisa necessariamente ter uma bolsa de luxo ou uma joia caríssima.
O que faz diferença é a escolha.
Um acessório não precisa custar muito para parecer sofisticado. Eu observo acabamento, ferragens, formato, proporção e, principalmente, se aquela peça parece atemporal. Muitas vezes, um cinto simples de uma fast fashion consegue elevar muito mais uma produção do que um acessório caro escolhido apenas porque carrega uma determinada marca.
Aliás, essa talvez seja uma das maiores lições que a moda me ensinou: preço e estilo são duas coisas completamente diferentes.

FOTO: Acervo pessoal
Já montei inúmeros looks com peças de lojas de departamento que, depois de prontos, pareciam custar muitas vezes mais. E quase sempre existe um elemento responsável por isso: o styling.
Pegue, por exemplo, uma calça jeans e uma camisa branca. Sem nenhum complemento, temos uma combinação básica. Coloque um cinto de couro ou com aparência de couro de boa qualidade, dobre levemente as mangas, acrescente um brinco dourado, um óculos de linhas clássicas e uma bolsa estruturada. A roupa continua sendo exatamente a mesma, mas a imagem transmitida é outra.
E isso também vale para uma peça muito barata. ATÉ UMA PRESILHA DE CABELO
PODE TRANSFORMAR UM LOOK. Foi o que fiz, coloquei uma presilha de loja de departamento em uma bolsa de luxo e minhas seguidoras surtaram com o visual, querendo saber de onde era o acessório.
Eu gosto de pensar que, quando compro uma roupa fast fashion, não estou presa à forma como ela apareceu no cabide ou no manequim. Aquela peça é apenas o começo. Posso mudar completamente sua personalidade dependendo do sapato, da bolsa, do cinto e dos acessórios que escolho.
Talvez por isso eu sempre diga que vale a pena construir um bom acervo de acessórios.

FOTO: Acervo pessoal
Enquanto algumas tendências de roupa passam rapidamente, determinados acessórios conseguem atravessar anos. Uma bolsa de formato clássico, um bom cinto preto e outro marrom, brincos dourados ou prateados que combinem com você, um óculos que valorize o seu rosto e sapatos de linhas mais limpas multiplicam as possibilidades do guarda-roupa.
Você não precisa de vinte opções. Precisa das opções certas.
E se tem dois acessórios que voltaram com força e conseguem transformar até a produção mais simples, são os broches e os lenços. Eles trazem de volta aquela elegância tão característica dos anos 80 e 90, quando os acessórios tinham presença e faziam parte da construção do look. Um broche colocado na lapela de um blazer, em uma camisa ou até em uma jaqueta jeans muda imediatamente a peça e traz personalidade. O mesmo acontece com os lenços: amarrados no pescoço, na alça da bolsa, na cintura ou até no cabelo, eles acrescentam cor, estampa e informação de moda sem exigir uma roupa nova.
Gosto especialmente dessa volta porque ela mostra como a moda é cíclica e como pequenos detalhes conseguem resgatar referências de outras décadas e, ao mesmo tempo, deixar um look atual. E existe ainda outro ponto importante: sofisticação não significa excesso.
Às vezes, na tentativa de deixar um look mais interessante, colocamos informação demais. Bolsa chamativa, cinto chamativo, brinco enorme, colar, óculos, sapato com muitos detalhes… e todos começam a disputar atenção.
Na maioria das vezes, quando quero que uma produção pareça mais elegante, faço justamente o contrário: escolho quem será o protagonista.
Se a bolsa já chama atenção, talvez os outros acessórios possam ser mais discretos. Se escolhi um brinco poderoso, não necessariamente preciso acrescentar um colar. Esse equilíbrio faz uma diferença enorme no resultado final.

FOTO: Acervo pessoal
No fim das contas, acredito que essa seja uma das partes mais divertidas da moda.
Perceber que você não precisa trocar o guarda-roupa inteiro para enxergar novas possibilidades nele.
Antes de pensar “não tenho roupa”, experimente olhar para aquela mesma peça de outro jeito. Troque o cinto. Mude a bolsa. Acrescente um brinco. Coloque um óculos. Experimente outro sapato.
Porque uma roupa pode ser fast fashion, pode ter custado pouco e pode até ser extremamente básica.
O estilo não está na etiqueta. Está nas escolhas.
E, muitas vezes, são os menores detalhes que fazem um look parecer muito maior.
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FOTOS: Acervo pessoal


