Moda High-low

A arte de misturar grifes com peças acessíveis

Por Alini Bosko
Influenciadora digital de moda


Como a moda pode influenciar na construção da autoestima, relações e carreira

Existe uma frase que eu escuto o tempo inteiro: “Roupa não importa.”

Mas é curioso como ela quase sempre aparece justamente nos ambientes onde a imagem mais influencia resultados: trabalho, relacionamentos, posicionamento social e até autoestima.

Recentemente, eu abordei esse tema no meu Instagram. Fiz um vídeo mostrando duas versões da mesma mulher: uma completamente desleixada e outra arrumada, elegante e com presença. A ideia era simples: mostrar como a imagem influencia diretamente a maneira como o mundo enxerga você.

E quase acabaram comigo por causa disso.

 

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Muita gente interpretou como elitismo. Outras pessoas disseram que eu estava “diminuindo” quem não se arruma. Mas, na verdade, o ponto nunca foi sobre dinheiro, marca ou padrão estético. Era sobre percepção.

Porque, gostando ou não, a sociedade reage à imagem.

A forma como nos vestimos nunca foi apenas estética. Roupa comunica disciplina, cuidado, repertório, percepção de ambiente e até ambição.

E talvez seja justamente por isso que tanta gente se incomode quando alguém fala sobre isso de forma direta. Porque admitir que imagem importa também significa admitir que o mundo cria percepções antes mesmo de ouvirmos alguém falar.

Nos últimos anos, a sociedade vendeu a ideia de que conforto absoluto é sinônimo de autenticidade. E, aos poucos, muitas pessoas começaram a abandonar algo que antes fazia parte do autocuidado: o ato de se arrumar.

E existe uma diferença muito grande entre conforto e desleixo. O problema é que, em algum momento, as pessoas começaram a confundir os dois.

Hoje, parece que demonstrar esforço com a própria imagem virou quase um problema. Como se gostar de se vestir bem fosse automaticamente superficialidade. Como se elegância anulasse profundidade.

Mas a realidade prática não funciona assim.

A mulher que entra em um ambiente com postura, roupa alinhada, cabelo cuidado e presença visual dificilmente passa despercebida. Não porque ela está usando a peça mais cara da sala, mas porque ela transmite intenção.

E intenção muda percepção.

A imagem profissional muda.
A credibilidade muda.
A forma como as pessoas escutam você muda.
Até a maneira como você se comporta muda.

Existe quase uma transformação emocional quando nos sentimos bem com a própria aparência. A postura muda sem perceber. A comunicação muda. A segurança muda.

FOTOS: Acervo pessoal

E isso não tem relação com luxo.

Aliás, uma das maiores mudanças da moda nos últimos anos foi justamente perceber que elegância não depende mais de preço. Hoje, muitas vezes, o que diferencia uma mulher sofisticada não é o valor da roupa — é o olhar que ela tem para construir imagem.

Vivemos uma era em que informação de moda está acessível para todo mundo. Mas, ao mesmo tempo, nunca vimos tantas pessoas visualmente parecidas e sem identidade.

Talvez porque estilo exige mais do que consumo.
Exige percepção.
Exige intenção.
Exige cuidado.

E cuidado nunca será algo fútil.

Porque, no fim, a maneira como você se apresenta para o mundo influencia diretamente a maneira como o mundo responde a você.

As pessoas dizem que roupa não importa.
Até precisarem causar uma boa impressão.

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FOTOS: Acervo pessoal

*Esse texto, em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões a partir da interpretação de fatos e dados coletados, é de responsabilidade integral do mesmo. O artigo não reflete, necessariamente, a opinião da GoWhere.