Geraldo Landulfo: referência em turismo e gastronomia italiana no Brasil
Nascido na cidade de Avellino, na região da Campania, província de Salerno, Gerardo Landulfo veio à luz num parto prematuro, com apenas 1,5 quilo – mas recuperou sua maturidade rapidamente, batizado em homenagem a San Gerardo Maiella, protetor das mulheres grávidas, cujo santuário fica perto de Avellino. Em 1960, aos dois anos, já estava no Brasil com a família, mais precisamente em Sorocaba, praticamente sua segunda cidade natal, onde um tio já estava estabelecido, comandando uma loja de artigos de couro – então segmento comercial adotado particularmente por imigrantes italianos em êxodo para um Brasil mais livre e mais promissor que a Itália. Gerardo relembra que Sorocaba foi o berço brasileiro da fulminante ascensão da família Matarazzo no Brasil.
Sem sotaque
Claro que, com essa idade, ele ainda não falava italiano – nem português. Mas era uma questão de tempo para se tornar bilíngue – dividido entre a família, com uma irmã de 11 anos, e os locais. Uma curiosidade: Gerardo, no Brasil há 58 anos, ainda é italiano. Nunca se nacionalizou, por questões burocráticas que favorecem quem vive do turismo e tem um passaporte europeu – o que não o impediu de se abrasileirar e dominar os dois idiomas sem sotaque. Gerardo cresceu em Sorocaba, estudou e se formou em Direito pela faculdade local, mas sonhava em ser jornalista e “conhecer” a sua terra. Enquanto isso não se tornava realidade, viajava com frequência a São Paulo para comprar jornais e revistas italianas. No ano de 1978, ao ler pela primeira vez o Guerin Sportivo, revista italiana, decidiu escrever uma carta – sim, ainda era o tempo das cartas, que levavam 10 dias para chegar – oferecendo-se para enviar informações sobre o futebol brasileiro em troca da assinatura da revista. A proposta foi aceita – os artigos do “brasiliano” agradaram e ele acabou se tornando o correspondente da revista do Brasil.

FOTO: Daniel Cancini
Volta à terra quase natal
E a sonhada volta à Itália ocorreu em outubro de 1980, graças a uma bolsa de estudos concedida pelo governo italiano para um curso de especialização na Università di Parma. Paralelamente, a região da Emilia Romagna, famosa por suas massas e produtos alimentícios, estimulou a paixão de Gerardo pela cultura gastronômica italiana, que aumentou ainda mais quando ele teve a oportunidade de morar, entre 1983 e 1987, na Sicilia, Florença e Nápoles, na função de repórter do Guerin Sportivo e correspondente das revistas Placar e Claudia e da Rádio Globo de São Paulo. Foi o primeiro repórter a entrevistar o atacante Careca como jogador do Napoli. Em 1988, retornou definitivamente ao Brasil para morar em São Paulo e foi contratado pela Alitalia. Assumiu a função de diretor de vendas, mas mantendo ainda o vínculo com o Guerin Sportivo até maio de 1994.
Volta ao Mundo
Começava outra fase de sua carreira – a definitiva. Assumiu como diretor no Brasil da Polvani Tours, operadora turística italiana com sede em Gênova. Em constantes viagens para a Itália, visitou cidades, hotéis e restaurantes de todas as regiões do país, acumulando experiências e se tornando o “maior conhecedor do destino Itália no Brasil”, como é apresentado pelos próprios colegas do setor. “Faço turismo exportativo”, resume ele. Se tivesse de destacar a Itália obrigatória para os brasileiros, ele diria: “Veneza, Florença e Roma.” Quem seriam hoje os chefs tops de seu país? Como delegado da Academia Italiana, ele responde: “Não posso responder.”

FOTO: Daniel Cancini
Beber e Comer no berço
Sim, Gerardo é delegado da Accademia Italiana della Cucina, instituição cultural com sede em Milão e 292 delegações espalhadas pelo mundo, com o objetivo de tutelar as tradições da cozinha italiana. Ao lado do sommelier e restaurateur Juscelino Pereira, Gerardo Landulfo assinou o guia Itália, para comer e beber bem, lançado no início de 2001, coincidindo com o 150º aniversário da unificação do país. Não à toa, Gerardo recebeu dois títulos honoríficos da República Italiana: o de Cavaliere (2016) e de Ufficiale (2023), concedido em reconhecimento ao trabalho que sempre desenvolveu no Brasil como divulgador da cultura e do turismo de seu país. Um detalhe: a sede da Polvani em São Paulo é no clássico Edifício Itália, no centro de São Paulo, em cuja cobertura fica o icônico Terraço Itália. Gerardo está em casa.
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POR Celso Arnaldo Araujo
FOTOS: Daniel Cancini

