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Cinco destinos para turistar pela Itália que fogem do circuito tradicional

Não importa se você já foi, se quer ir de novo, se é a primeira ou a décima vez, a realidade é uma só: quem nunca sonhou com um roteiro pela Itália? Estamos falando de um país que evoca memória afetiva por qualquer canto que se vá. As paisagens, os sons, os aromas inspiram uma infinidade de sentimentos, seja na melodia do idioma, no tilintar das xícaras de expresso nas cafeterias, no perfume das massas na porta de cada restaurante, a Itália tem cheiro, som e gosto de aconchego. Para muito além de Roma, Florença e Veneza, o charme atemporal italiano sempre dá um jeito de conquistar o exigente e experienciado viajante do universo de luxo. Seja em um lago cintilante ao norte, em uma praia de águas cristalinas ao sul, ou em uma encantadora vila medieval, a Itália oferece, sem dúvida alguma, sensações marcantes para quem sabe bater perna. 

Taormina: pérola no Jônico 

Depois de White Lotus, premiada série da Netflix, não existe viajante que não tenha colocado Taormina na sua lista de desejos. Essa joia na Sicília já permeava o imaginário de quem busca uma experiência entre vielas milenares, contada em inúmeros filmes sobre mafiosos e densas paixões. Situada no alto do monte Tauro, a pérola do mar Jônico, como é conhecida, inspira visitantes há séculos. Hemingway, Klimt, Oscar Wilde, Goethe são alguns dos ilustres que elegeram Taormina como morada, além de D.H Lawrence, escritor inglês, que, nos anos 20, escolheu a cidade e teria se inspirado em uma residente britânica para criar sua revolucionária Lady Chatterley. “A cidade é pequena, cerca de 10 mil habitantes atualmente, mas são mais de dois mil anos de história de um império que espalhou arte e cultura por toda região do mediterrâneo” Os grandes conquistadores da história repetidamente a tomaram uns dos outros desde sua fundação em 358 a.C. Gregos, romanos, sarracenos, bizantinos, normandos, suábios, franceses e espanhóis vieram, conquistaram e contribuíram com influências culturais. Os restos do Teatro Grego têm sido o farol da vida de Taormina desde o século II. Esculpido no calcário leitoso local, com a impressionante vista do pico fumegante do Monte Etna, e, apesar da grande quantidade de turistas, a cidade conserva muito do seu caráter medieval tardio, com suas praças aconchegantes e palazzi do século 15.   

FOTO: Adobe Stock

Cinque Terre: gelatos, selfies e uma caminhada 

Imagine a cena: casinhas coloridas encaixadas como peças de um quebra-cabeça nos penhascos, debruçadas sobre o mediterrâneo, com vista para praias de águas cristalinas, construções históricas, repleta de tratorias, gelaterias, padarias e lojas. Pronto. Você chegou à Cinque Terre. Elas são cinco: Monterosso al Mare, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore. Ao longo da costa da Ligúria, formam as Cinque Terre, as cinco terras, em português. Pequenas cidades, ou comunas, como os italianos chamam, que originalmente eram rústicas vilas de pescadores. Em uma sequência quase vertiginosa de escarpas, todas as cidades estão conectadas por trilhas panorâmicas, com destaque para a Sentiero Azzuro, esculpidas ao longo de décadas exatamente para os turistas baterem perna, de um lado para o outro, entre um gelato e uma selfie. A vista tira o fôlego até do mais desavisado viajante. “Este trecho selvagem e acidentado, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco e Parque Nacional em 1999 como paisagem cultural, é um deleite para amantes de caminhadas, para os foodies e apreciadores de vinho” Para quem não está no pique de fazer todo o percurso a pé, uma boa opção é aproveitar os passeios de barcos que também ligam todas as vilas. Só Corniglia, que não está ao nível do mar, não recebe os barcos. 

FOTO: Adobe Stock

Val d’Orcia: um Papa, um escultor e a história da urbanização 

Imagine o cenário idílico de um cartão-postal, com vales verdes, ou dourados, a depender da estação, estradas ondulantes com ciprestes alinhados e vinhedos, muitos vinhedos. Tal qual uma sinfonia em perfeita ordem, assim é a Toscana. Originalmente chamada de Corsignano, esta pequena gigante fica no Val d’Orcia, na parte sul da Toscana, apenas 50 quilômetros de Siena. Empoleirada no topo de uma colina, Pienza é uma vila de pedra cor de mel, onde cada esquina parece ter sido desenhada por um artista e, de fato, foi. Esta joia renascentista é a primeira cidade da história com um projeto de urbanização. Foi no século 15, quando o Papa Pio II, um ilustre nativo, resolveu transformar a então Corsignano com os padrões estéticos da época e construir a então chamada cidade ideal, como ela ficou conhecida. Com a ajuda do arquiteto e escultor Bernardo Gambarelli Rossellino, a dupla fez de Pienza o sonho do charme italiano. Vielas, praças, tudo leva ao encantamento com a exata perfeição estética. O Papa faleceu antes da finalização do projeto, e é aí que Pienza ganha seu novo nome. A poesia não está só no olhar, mas também nos nomes das ruas pela cidade. O trio mais famoso são: Via dell’Amore, a Rua do Amor, Via del Bacio, a Rua do Beijo, e Via della Fortuna, a Rua da Fortuna. Não deixe de afundar seu olhar pela Via del Casello e ver toda a imensidão da região, além da estrela da casa: o pecorino, típico queijo produzido com leite de cabra. 

FOTO: Adobe Stock

Puglia: a queridinha do momento 

Lá no sul da Itália, no ainda remoto calcanhar da bota, fica a Puglia, região à beira do mar adriático. E bem no centro-oeste deste mapa, entre as províncias de Bari, Brindisi e Taranto, fica o Valle d’Itria. Serpenteada com estradas rurais, cercadas por muros de pedra e muito tranquilas, a área é hoje uma das queridinhas da gastronomia no país. Em se falando de Itália, essa é uma missão quase impossível de se alcançar, mas a Puglia vem assinando seu nome neste quesito. Com vinhos brancos de altíssima qualidade, uma culinária apoiada em receitas ancestrais e ingredientes locais, como azeites e queijos, o viajante experimenta uma real cozinha italiana por aquelas bandas. “O vale abriga as míticas, e místicas, cidades brancas, como são conhecidas as localidades com as Trulli, casinhas tradicionais, feitas em pedra calcária com telhados cônicos, que originalmente eram abrigos temporários dos agricultores na área” Repleta de cidades charmosas com as trulli, as principais são Alberobello, Locorotondo, Cisternino e Martina Franca. A história das trulli começa no século 14, mas a inspiração arquitetônica é grega, e chegou à área no século 8 a.C. Se acredita que os telhados foram construídos desta forma para evitar os impostos feudais sob residências fixas e são, comumente, adornados com desenhos de símbolos pagãos, cristãos e astrológicos. 

FOTO: Adobe Stock

Cortina d’Ampezzo: casa olímpica 

Além de sede dos jogos olímpicos de inverno de 2026, ela é conhecida como a Rainha das Dolomitas. Espremida numa vasta bacia de campos e bosques, Cortina d’Ampezzo é uma comuna na província de Belluno, no Vêneto. As Dolomitas, Dolomiti em italiano, são uma cadeia de montanhas dos alpes orientais, que se espalha pelas regiões de Belluno, Bolzano, Trento, Údine e Pordenone. É, também, mais um Patrimônio da Humanidade pela Unesco na Itália. Circundada por montanhas altíssimas, é por aqui que acontece o famoso enrosadira, fenômeno que, ao nascer e pôr do sol, as montanhas de Antelao, Sorapiss, Croda da Lago, Croda Rossa, Tofane e Cristallo assumem uma coloração rosada em suas rochas calcárias. “Esse cantinho, no norte italiano, já havia sediado os jogos olímpicos de inverno em 1956, com a presença da musa Sophia Loren e, desde então, se transformou numa meca para as elites europeias deslizarem pela neve nas temporadas mais frias”. Entre um quitute feito com embutidos locais e um aperitivo, os locais e turistas batem perna pela Piazza Angelo Dibona. A cidade, repleta das mais luxuosas boutiques italianas, também apresenta um vasto arsenal no quesito hospitalidade. Desde os mais charmosos e luxuosos hotéis, até os resorts equipados para receber o mais exigente esquiador. Para quem vem esquiar, são mais de 140 quilômetros de pistas, divididas entre níveis, desde as pistas azuis para iniciantes, as vermelhas intermediárias e as pretas, como a Forcella Rossa, para os experts. Cortina faz parte do circuito Dolomiti Superski (um passe que dá acesso a 12 zonas de esqui diferentes). Suas principais áreas para o esporte são Faloria, Cristallo, Pocol-Tofana e Cinque Torri. 

FOTO: Adobe Stock

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POR Viviane Auerbach
FOTOS:Adobe Stock

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