Restaurante MEE, no Copacabana Palace, se destaca com sua culinária asiática
No coração do Copacabana Palace, o MEE construiu sua identidade a partir de diferentes cozinhas da Ásia, com a tradição japonesa ocupando lugar central no repertório do chef Alberto Morisawa, mais conhecido como chef Mori. A proposta pan-asiática atravessa também referências da Coreia, Tailândia, China, Índia e outros territórios do continente. Reconhecido com uma estrela Michelin, o restaurante permanece entre os endereços estrelados do Rio de Janeiro.
Há três maneiras de conhecer essa cozinha: pelo novo menu degustação, pelo à la carte ou pelo omakase. São vivências com dinâmicas bastante distintas, mas conectadas pela pesquisa de Mori e pelo trabalho de bebidas conduzido pelo sommelier Juciano Linhares, com destaque para uma seleção de vinhos e saquês de diferentes regiões do Japão.
“Estou sempre viajando para buscar novas tendências e insumos. Muitos dos ingredientes utilizados são importados, e outros já encontramos no Brasil. Essa pesquisa constante faz parte da nossa cozinha”, conta o chef Mori.

FOTO: Divulgação
Novo menu degustação: Japão e Vietnã
É no novo menu degustação que o MEE apresenta uma das principais novidades de seu repertório atual: a aproximação entre a cozinha japonesa e referências vietnamitas. A construção segue princípios associados ao kaiseki, valorizando equilíbrio, sazonalidade e uma sequência pensada a partir de diferentes temperaturas, texturas, intensidades e sensações.
O percurso começa pelo Sakizuke, com pepino, molho sumissô, shiromi e wakame, harmonizado com o espumante Casa Pedrucci Reserva Nature, de Garibaldi. Frescor e acidez abrem espaço para uma sequência que vai ganhando profundidade gradualmente. Em seguida chega o Wanmono, com chashu, caldo pho, macarrão pho, coentro e hortelã. É aqui que a presença vietnamita aparece de maneira mais evidente, trazendo para o menu o caráter aromático das ervas frescas e uma das preparações mais emblemáticas daquela cozinha. Os caldos, aliás, têm papel importante nesse novo percurso e passam por preparações prolongadas, em busca de concentração de sabor sem tornar a experiência excessivamente pesada. O Tatakimono reúne atum, tenkasu, chili oil, gema curada, mujol e ponzu, combinando gordura, crocância, picância e acidez. A harmonização vem com o Yauemon Daiginjo Karakuchi, de Fukushima.
Na sequência, o Suimono apresenta barriga suína, massa cristal de dumpling, caldo de suã e missô, acompanhado pelo português Pedra Cancela Reserva. O percurso então muda de registro com o Ostsukuri, composto por bluefin, vieira e polvo, em uma etapa que coloca a textura e a qualidade dos pescados no centro do prato. A precisão japonesa aparece novamente nos Niguirizushi, com hikarimono, unagui futo e wagyu temari, harmonizados com o Dassai Junmai Daiginjo 45, de Yamaguchi. No Shizakana, a intensidade volta a crescer: lagosta, bisque, picles e espuma de foie formam uma composição mais untuosa, equilibrada pela acidez dos acompanhamentos e pelo Wapisa Pinot Noir, da Argentina. A passagem para os doces acontece pelo Mizumono, com sorbet de yuzu, espuma de saquê e amêndoas. Na sequência, o Dezato combina mousse de café, sablé de cacau, maracujá e amendoim, harmonizado com Graham’s Tawny 10 Anos, do Douro.
O jantar continua com chá de jasmim e uma seleção de petit fours composta por marshmallow de yuzu, bombom de caramelo salgado e macaron de pimenta gochujang. O último gesto vem em forma líquida, com um licor de shiso produzido na própria casa.
O resultado é uma sequência que alterna delicadeza e intensidade sem perder o fio condutor. Japão e Vietnã não aparecem como capítulos isolados, mas como referências que se encontram ao longo do percurso criado por Mori. O MEE oferece também uma versão vegana do menu degustação, formato que integra a proposta atual do restaurante.

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À la carte: escolher o próprio caminho
No à la carte, a experiência muda. Em vez de seguir uma sequência determinada pelo chef, cada mesa pode construir seu próprio percurso entre sushi, sashimi, entradas, pratos quentes e principais.
A seleção de pescados traz diferentes cortes de bluefin, entre eles otoro, chutoro e akami, além de tartares, carpaccios, sashimis, niguiris e combinações como atum com foie gras e lichia. É também nesse formato que o caráter pan-asiático do MEE ganha maior amplitude. Hong Kong Prawns, Japchae, Pad Thai, Bibimbap e diferentes curries aparecem ao lado do Crying Tiger, preparado com wagyu, folhas, pepino, pimenta, molho nam jim jaew e arroz jasmine.
A liberdade está justamente em transitar por essas referências sem uma ordem obrigatória. A refeição pode começar pelos pescados crus, avançar pelos sushis, seguir para um prato quente de outra tradição culinária e terminar em uma sobremesa, construindo uma experiência diferente a cada visita.

FOTO: Divulgação
Omakase: quando a escolha fica com o chef
No balcão do sushi bar, a lógica se inverte novamente. Omakase parte da ideia de confiar ao chef a escolha daquilo que será servido. O cliente acompanha de perto o preparo das peças, a manipulação dos pescados e a construção da sequência diante do balcão, tornando a proximidade com a cozinha parte fundamental do jantar. No MEE, o formato é oferecido exclusivamente no sushi bar, às 20h, mediante reserva antecipada, para até seis pessoas por horário, com possibilidade de harmonização com saquê ou Ruinart.
A carta de saquês tem papel especialmente importante nesse percurso. Juciano Linhares trabalha com rótulos de diferentes regiões japonesas e acompanha a cozinha de Mori com combinações que ampliam a leitura dos pratos. O próprio Guia Michelin destaca a seleção de saquês como um dos diferenciais do restaurante.

FOTO: Divulgação/ Tomás Rangel
Três formas de viver o MEE, uma cozinha em movimento
Degustação, à la carte e omakase não são apenas três maneiras de fazer um pedido. Cada formato propõe uma relação diferente com a cozinha do MEE. No menu degustação, o chef determina o ritmo e aproxima Japão e Vietnã em uma sequência de sabores e sensações. No à la carte, o cliente ganha liberdade para atravessar diferentes referências asiáticas. Já no omakase, a confiança volta a ocupar o centro da experiência e a escolha fica inteiramente nas mãos da cozinha.
O que conecta os três caminhos é a pesquisa contínua de Mori. Entre técnicas, ingredientes e referências de diferentes países, o chef mantém o cardápio em movimento e reafirma a vocação que acompanha o MEE desde sua criação: apresentar a Ásia não como uma única cozinha, mas como um território diverso, capaz de ser descoberto de diferentes maneiras no mesmo endereço.
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POR Alan Victor
FOTOS: Divulgação (ambiente) e Divulgação/ Tomás Rangel (chef)

