Diego Lozano se torna primeiro brasileiro e latino-americano a integrar o Relais Desserts
O Brasil passou a ter, pela primeira vez, um representante no Relais Desserts, associação internacional que reúne cerca de 100 confeiteiros e chocolatiers de 19 países, entre eles nomes como Pierre Hermé e Jean-Paul Hévin. O chef paulistano Diego Lozano teve sua entrada oficializada em setembro, em Lyon, na França, tornando-se também o primeiro latino-americano a integrar o grupo. Para a apresentação, levou ingredientes como tucupi, açaí, cupuaçu, baru e cachaça.
A admissão ao Relais Desserts não ocorre por inscrição ou votação aberta. O candidato precisa ser apadrinhado por dois membros, passa pela avaliação de um comitê, que visita seu empreendimento, e depois realiza uma apresentação ao vivo diante dos integrantes da associação. No caso de Lozano, foram 30 minutos de demonstração técnica, 30 doces servidos aos chefs e uma peça artística.
“Prêmio se ganha; esse grupo, se é aceito”, explica o chef, que teve como padrinhos Fabrizio Galla, do Piemonte, e Andreas Acherer, de Brunico, amigos de mais de dez anos. A etapa final de produção aconteceu na confeitaria de Galla, em San Sebastiano, de onde os dois seguiram para Lyon.

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A relação de Lozano com a associação começou há duas décadas, quando conheceu o grupo. Há cerca de cinco anos, passou a se preparar para a candidatura. Em 2025, participou de um seminário do Relais Desserts como convidado e, em abril deste ano, recebeu o primeiro contato sobre a candidatura. “Cinco meses entre o e-mail e a mesa. Vinte anos entre a ideia e o e-mail”.
Ingredientes brasileiros e técnicas francesas
Para a seleção, Lozano criou a coleção FUSÃO, combinando ingredientes brasileiros com técnicas francesas. Ao todo, foram oito criações: Caipirinha, com cachaça; Belém, de cupuaçu, castanha-do-pará e cumaru; Cajá, Manga e Maracujá, uma mousse sem laticínio; Cacau e Framboesa; Tucupi e Cereja, uma releitura amazônica da Floresta Negra; Sablé Breton com castanha-do-pará em três texturas; “Ceci n’est pas une banane”; e Barra de Caramelo, Tonka e Baru.
Cada doce carrega uma cor das bandeiras do Brasil e da França, enquanto o branco, presente nas duas, foi usado como fundo dos expositores. Entre os ingredientes apresentados, o tucupi despertou especial interesse entre os colegas. “Eu não fui a Lyon fazer confeitaria francesa melhor que os franceses. Isso não existe, eles inventaram. Fui mostrar o que só eu podia mostrar: ingrediente que cresce aqui e memória de quem cresceu aqui, com a técnica deles dando forma.

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Fundador da Escola de Confeitaria Diego Lozano e da confeitaria Levena, além de ter atuado como jurado do MasterChef Confeitaria, o chef afirma que a entrada na associação muda principalmente a dimensão de sua atuação.
“No dia a dia, pouco: amanhã tem restaurante, escola, aula e doce para fazer. O que muda é a mesa. Quando esses cem chefs se reúnem para discutir para onde vai a confeitaria, agora tem um brasileiro na sala.”
Segundo Lozano, a conquista também representa uma responsabilidade por ser o primeiro integrante da América Latina. “Não significa que eu sou melhor do que quem veio antes. Significa que, até aquele dia, ninguém tinha conseguido levar a nossa confeitaria até aquela mesa, com os nossos ingredientes e o nosso jeito. Ser aceito pelos mestres que me inspiraram a vida inteira é o momento mais importante da minha carreira”, afirma.

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