Conheça seis clássicos da coquetelaria italiana que atravessam gerações
No Bar Europa, a coquetelaria funciona como extensão natural da mesa italiana: direta, afetiva e construída no detalhe. A casa é o novo projeto do restauranteur Ipe Moraes, à frente do Grupo Adega Santiago, e compartilha com a Casa Europa a mesma matriz de inspiração – a Itália como cultura viva, não como ornamento. Sob curadoria do bartender Vini Lopes, a carta de drinks revisita clássicos italianos que ajudaram a moldar a história da coquetelaria moderna. São receitas que nasceram de encontros simples – vinho, bitter, frutas, destilados – e atravessaram décadas por entender algo essencial: o paladar aprende aos poucos. Cada copo de amargores elegantes, texturas macias e finais longos propõe menos espetáculo e mais presença.

FOTO: Daniel Cancini
1. Negroni
Talvez o maior legado italiano à coquetelaria global, o Negroni é aprendizado. O primeiro gole estranha; os seguintes acolhem. “O amargor chega como quem entra numa festa sem conhecer ninguém”, diz Vini. Vermute e gin constroem a ponte. Quando tudo se encaixa, vira ritual.
2. Bellini
Criado em 1948, no Harry’s Bar, em Veneza, por Giuseppe Cipriani, fecha o percurso com delicadeza. Espumante e pêssego branco formam um coquetel etéreo, de textura suave e doçura contida. Diferente dos amargos que dominam a tradição italiana, ele fala de frescor e celebração — um lembrete de que a elegância também pode ser leve.
3. Boulevardie
Embora tenha raízes franco-americanas, o Boulevardier ganhou identidade italiana ao adotar o Campari como eixo. No Bar Europa, ele aparece denso e equilibrado. “O uísque ocupa espaço, mas não domina”, explica Vini. Amargor, doçura e álcool se alternam em camadas, com textura aveludada e final longo – intenso, sem pesar.
4. Garibaldi
Símbolo de simplicidade bem resolvida, o Garibaldi une suco de laranja aerado e Campari. A doçura acolhe, o amargor sustenta, a acidez organiza. “O que parece simples vira complexo porque junta dois mundos”, resume o bartender. Espumoso na superfície e profundo em boca, é um retrato da Itália: contrastes que convivem sem se anular.
5. Cardinale
Requer mais introspecção. Gin e Campari se encontram com o suporte seco do vermute, revelando camadas aromáticas que se abrem aos poucos. “É um drink que pede calma”, diz Vini. “Foi mexido devagar, com respeito.” A textura macia e o desenvolvimento gradual fazem dele menos um impacto imediato e mais uma experiência contínua.
6. Bicicletta
Clássico do norte da Itália, a Bicicletta é quase um traço cotidiano. Vinho branco, bitter e borbulhas constroem um drink leve, de amargor delicado e frescor imediato. “O vinho chega fresco, direto. O bitter vem atrás — não briga, só avisa que está ali. As bolhas limpam o caminho”, explica Vini. É um coquetel de início de conversa, pensado para acompanhar o ritmo do fim de tarde
Bar Europa
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 1333 – Jardim Paulistano
Tel.: (11) 3086-3001
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POR Eduardo Ribeiro
FOTOS: Daniel Cancini

