Chef Giuliana Giunti une internet e TV e conquista o público com sua gastronomia afetiva
Entre panelas, câmeras e histórias compartilhadas, a chef Giuliana Giunti construiu uma carreira que foge do roteiro tradicional da gastronomia. Formada em Publicidade e com passagem pelo marketing de um grande banco, encontrou na cozinha não apenas uma nova profissão, mas uma forma de reorganizar a própria vida. Hoje, atua como chef, comunicadora e criadora de conteúdo, com um trabalho que transita entre o digital, a televisão e experiências presenciais.
A virada não aconteceu de forma planejada. Em um momento de questionamento profissional, buscava algo que rompesse com a lógica rígida do escritório e encontrou esse respiro na cozinha. “Eu precisava de uma mudança. Quando comecei a cozinhar, percebi que poderia ter uma vida mais sob o meu controle”, conta. A decisão ganhou força quando, mesmo após ser aprovada em um processo seletivo para uma multinacional, optou por recusar a oportunidade. “Fiquei feliz por saber que eu era capaz, mas também pronta para dizer que não iria.”

FOTO: Acervo Pessoal
A partir daí, a cozinha deixou de ser descoberta e passou a ser uma construção. Giu, como é carinhosamente chamada, voltou a estudar, fez um curso de formação de chef e mergulhou em eventos e projetos próprios, assumindo riscos e apostando em uma trajetória independente. O primeiro ponto de virada veio com o blog de receitas O Melhor Prato, onde começou a compartilhar aprendizados e testar possibilidades. “Com o blog, tive a chance de sonhar e comecei a me interessar em aprender mais para compartilhar esse conhecimento”, relembra. Foi ali que percebeu o potencial de transformar conteúdo em experiências, como jantares e eventos, conectando-se a um público interessado em uma cozinha mais próxima e autoral. Logo depois, criou o canal no YouTube.
Antes da televisão, sua atuação já era múltipla. Entre encomendas, eventos e produção de conteúdo digital, consolidou uma base prática que moldou tanto sua cozinha quanto sua comunicação. “A vivência traz uma bagagem que não se aprende em livro. Tem coisas que a prática ensina muito”, afirma. Essa experiência se reflete na forma como se apresenta: direta, didática e próxima.

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O projeto O Melhor Prato sintetiza bem essa trajetória. Criado inicialmente para o ambiente digital, o canal cresceu ao longo de mais de uma década até chegar à televisão. Hoje, o programa é exibido no canal Sabor & Arte e tem distribuição que ultrapassa o Brasil, alcançando também América Latina, África, Portugal e Miami. “Eu sempre sonhei grande e quis muito um dia chegar onde estamos. Não sabia quanto tempo levaria e nem como seria essa trajetória. Depois de mais de 10 anos trabalhando incansavelmente com a internet, estar na TV é realizar esse sonho.”
A proposta do programa é clara: valorizar a cozinha do dia a dia, com receitas acessíveis e carregadas de afeto. “Eu vejo a cozinha de uma forma muito simples, desnuda. A cozinha não precisa ser um campo de batalha. É na hora da refeição que as relações acontecem. Quero que quem me veja se sinta encorajado a ir para a cozinha”, afirma.
Em um cenário dominado por ultraprocessados e delivery, sua comunicação segue na direção oposta: incentivar que mais pessoas voltem a cozinhar, sem complicações. “Compartilho as dicas e explico tudo como se fosse uma amiga próxima”, completa.

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A televisão ampliou esse alcance. Depois de participações e quadros, passou por emissoras como Rede Vida e TV Gazeta, até consolidar sua presença no Sabor & Arte. “A televisão traz uma visibilidade maior e menos nichada. Meus telespectadores são muito diversos e eu adoro isso”, diz.
Alguns conteúdos marcaram essa trajetória. A receita de peru de Natal apresentada no programa Cozinha Amiga viralizou nas redes. “Há sete anos, a receita é um meme de Natal”, comenta. No YouTube, a costela de forno segue como um dos maiores sucessos.
Paralelamente à produção de conteúdo, Giu também investe em experiências presenciais. Seus jantares secretos, realizados em locais não divulgados previamente, propõem uma vivência exclusiva, com cardápio fechado para até 20 pessoas. “É um evento superexclusivo, com um cardápio especial e um lugar secreto. Divulgo a data nas redes e as pessoas que compram esse jantar se encontram em uma mesa comunitária, é bem bacana”, explica. Além disso, realiza aulas presenciais para ensinar receitas que vão de risotos à introdução culinária e prepara o lançamento de cursos online. “Demorei, mas agora vou levar isso para o digital também.”

FOTO: Acervo Pessoal
Outro movimento recente é a criação de uma linha própria de home decor voltada à cozinha. A coleção inclui aventais, luvas e jogos americanos, com foco em produção artesanal e sustentável. “São peças feitas por costureiras, tudo muito pensado. A gente está indo na contramão do mercado, valorizando o feito à mão. A ideia é cozinhar bonita, trazer mais cuidado e identidade para esse momento.”, complementa.
Com uma carreira que combina prática, comunicação e sensibilidade, Giu Giunti segue expandindo seu território na gastronomia contemporânea, equilibrando conteúdo, experiência e produto de forma orgânica.
Em 2026, assume também um novo papel como colunista de gastronomia da GoWhere. A relação com a editora, no entanto, vem de antes: aos 18 anos, foi estagiária de produção de moda na revista. “Hoje, fazer parte dos colunistas é uma honra. “Quero que a troca seja útil, aproximar o leitor da cozinha e mostrar que todos podem ter sucesso. Vai ser incrível.”, diz.

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