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Bela Gil assina menu do Preta Maria, novo restaurante do Mata São Paulo

A poucos passos da Avenida Paulista, a Mata São Paulo ganha um novo endereço dedicado à gastronomia afro-brasileira. Idealizado por Alex Allard e com cozinha assinada por Bela Gil, o Preta Maria — Cena Afro-Brasileira nasce com a proposta de valorizar o legado histórico, cultural e gastronômico dos povos africanos e afrodescendentes na formação do Brasil e de São Paulo. O restaurante também marca a amizade entre Bela e Alex, que cresceu na África, e amplia a proposta da Mata São Paulo de reunir diferentes referências culturais em torno da gastronomia.

Com 165 m², o Preta Maria foi concebido não apenas como restaurante, mas como espaço de expressão, convivência e troca. A casa pretende reunir artistas, criadores, lideranças e agentes transformadores ligados à cena cultural, além de promover encontros e manifestações que reverenciem, de forma contemporânea, tradições de matrizes africanas. Ao lado do Mata Città, inspirado na herança italiana, e do Lavva, que combina referências brasileiras e coreanas, o novo endereço amplia a narrativa cultural do complexo.

No cardápio, Bela Gil parte de uma cozinha predominantemente vegetal, baseada em ingredientes ancestrais e sazonais, complementada por proteínas animais selecionadas. O menu foi desenvolvido ao longo de cerca de três anos, a partir de pesquisa, escuta e experimentação, com referências de diferentes regiões da diáspora africana, como Nigéria, Benim, Costa do Marfim, Angola, Moçambique e Senegal. Quiabo, dendê, painço, amendoim, inhame, feijões, folhas, raízes e especiarias aparecem em preparos que buscam estabelecer conexões entre diferentes culturas e a formação da cozinha brasileira.

FOTO: Divulgação/ Alba Reis

Entre os primeiros sabores do menu está a Pipoca de Milho Crioulo com Dendê, feita com sementes tradicionais cultivadas de forma agroecológica e temperada com especiarias Cajun. Entre as entradas, o Beiju Crocante transforma a mandioca em uma massa de tapioca crocante, aquecida com queijo tulha e finalizada com espuma do próprio queijo ou creme de castanhas na versão vegana. Já os Tostones de Banana são servidos com maionese de coentro, vinagrete de casca de banana e broto de coentro, seguindo a proposta de aproveitamento integral dos ingredientes.

A herança baiana aparece no Acarajé e Abará, ambos preparados com feijão-fradinho. Enquanto o acarajé é frito no azeite de dendê, o abará é cozido no vapor e envolto em folha de bananeira. Os dois são acompanhados de vatapá de cará e molho lambão. Outra leitura contemporânea é apresentada nos Tacos de Carne de Jaca, que combinam a fruta desfiada a feijões vermelhos temperados, creme azedo de castanhas, vinagrete de tomate verde, repolho roxo, broto de coentro e gergelim tostado.

FOTO: Divulgação/ Thiago Britto

Entre os principais, pensados para compartilhar, o Tabule de Painço combina o grão com purê de batata-doce laranja com especiarias, cebola, hortelã, salsinha, tomate, pepino, repolho roxo e rabanete. O Capeletti de Jaca, por sua vez, parte de uma memória afetiva de Bela Gil, inspirada no capeletti in brodo preparado por sua avó Nair. Na casa, a massa recheada com jaca é servida em caldo de tomates e azeite verde.

Entre os clássicos brasileiros revisitados pelo restaurante estão a Feijoada Vegana, servida às quartas e aos sábados com tofu defumado, quiabo e abóbora, acompanhada de arroz da terra, couve com laranja, farofa e banana com crocante de castanhas, e a Moqueca de Banana-da-Terra, acompanhada de arroz de coco e farofa de dendê.

O menu também percorre diferentes tradições do continente africano. Do Senegal vem o Mafe, ensopado cremoso de amendoim preparado com legumes, sobrecoxa de frango cozida lentamente e depois grelhada, finalizado com espuma de leite de coco e chilli oil. Da África Ocidental, o Arroz Jollof combina tomate, cebola, pimentões, gengibre e especiarias, servido com camarões e lulas grelhados. Já o Sega Wat, inspirado na culinária etíope, traz carne bovina preparada com berbere, purê de cará, arroz da terra, couve crispy, picles de cebola e ovo.

FOTO: Divulgação/ Thiago Britto

Nas sobremesas, o Bolo de Milho Cremoso é servido com doce de leite da fazenda, nibs de cacau caramelizado e creme de café quente. A seleção inclui ainda Cocada de Maracujá, e Manjar de Coco com Calda de Ameixa, ambos disponíveis em versões sem lactose. Para finalizar, a Mousse de Chocolate, é preparada com chocolate meio amargo sem lactose e merengue de aquafaba.

A coquetelaria é assinada por Gabriel Bressane, responsável pelas operações de bar da Mata São Paulo. A carta acompanha as referências do restaurante ao trabalhar com ingredientes locais e releituras de clássicos. Cajá, uvaia, goiaba, cajuína, jurubeba, dendê, cumaru e marula aparecem em criações como Spritz da Bela, Rainha do Mar, Lampião e Maria Bonita e Negroni Dendê.

FOTO: Divulgação/ Alba Reis

A arquitetura também foi pensada para dialogar com a proposta do restaurante. No centro do salão, uma grande estrutura circular de bambu faz referência à roda, ao jongo e à capoeira, reforçando a ideia de encontro e coletividade. O projeto utiliza ainda materiais naturais como taipa, madeira, piaçava e barro. O bar, considerado o coração da casa, é revestido em Pedra Bahia azul, enquanto pratos de barro, tecidos, mobiliário, estampas e obras de arte valorizam o trabalho manual e a produção criativa afro-brasileira.

A partir da visão criativa de Alex Allard, o projeto arquitetônico foi desenvolvido pelo Estúdio Guto Requena, com os arquitetos Gabriela de Matos e Mateus Fraga. O resultado combina arquitetura, arte, design e gastronomia em um ambiente pensado para estabelecer conexões entre ancestralidade, cultura e criação contemporânea.

FOTO: Divulgação/ Alba Reis

Alameda Rio Claro, 190 —Bela Vista
Reservas no Mata App

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FOTO DESTAQUE: Divulgação/ Thiago Britto
FOTOS: Divulgação/ Alba Reis e Divulgação/ Thiago Britto

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