Rodolfo e Nelson Semeoni, da Montecristo Joalheria, apontam as tendências da Watches & Wonders
Participando da Watches & Wonders ano após ano, Rodolfo Semeoni e Nelson Semeoni Neto, terceira geração da Montecristo Joalheria, acompanham não só os lançamentos, mas também os movimentos e tendências que apontam para onde a indústria está caminhando. E, na visão deles, a relojoaria de luxo segue avançando – e na direção certa.
Durante a semana do evento, Genebra assume um ritmo próprio. Restaurantes lotados, bares movimentados e encontros casuais entre CEOs, relojoeiros, colecionadores e varejistas transformam a cidade suíça em uma espécie de capital global da relojoaria. Em poucos quilômetros, concentra-se toda a energia de um setor que movimenta tradição, design, inovação e desejo. “A cidade inteira entra no clima da feira. Durante o jantar, na mesa ao lado, você vê alguém discutindo complicações de calendário perpétuo; atravessa a rua e cruza com um dos grandes designers de mostrador da atualidade. É um microcosmo do que o setor tem de mais vivo”, conta Rodolfo.
Dentro dos salões da feira, a sensação é de “campeonato mundial”. A disputa pelos espaços mais nobres, a corrida pelos lançamentos mais comentados e a movimentação em torno das vitrines mais fotografadas deixam evidente o peso do evento para as grandes maisons. Neste ano, a Watches & Wonders ganhou ainda mais força com a chegada da Audemars Piguet. “A sensação é de que estamos vendo, ao vivo, uma nova fase do mercado se consolidar: mais diversa, mais sofisticada e, ao mesmo tempo, mais conectada ao que as pessoas realmente querem usar no pulso”, afirma Nelson.
Como diretores e sócios da Montecristo Joalheria, a dupla teve acesso direto às novidades de marcas com as quais trabalham de perto, Rolex, Cartier, Tudor e TAG Heuer. E a leitura dos executivos é simples: 2026 tem tudo para ser um ano especialmente forte para as quatro marcas.
Cartier: a queridinha entre colecionadores
A Cartier vem construindo, ano após ano, uma posição impressionante no universo da relojoaria. A marca é elegante, atemporal e, ao mesmo tempo, muito conectada com a modernidade. Não é coincidência que tenha virado queridinha entre colecionadores, especialmente entre quem procura algo com identidade forte e design autoral.
Um dos destaques foi o relançamento do Cartier Roadster. Não foi apenas “trazer o modelo de volta” – houve um cuidado real em atualizar o relógio para o gosto atual, sem perder o espírito original. Com dimensões equilibradas para o pulso contemporâneo, o relógio conta com o calibre automático 1847 MC nas versões maiores, enquanto os modelos menores recebem o 1899 MC. “Na nossa opinião, a versão maior com mostrador azul tem tudo para conquistar uma nova geração de apaixonados pela marca: é um relógio com presença clássica, um toque de modernidade e, para completar, o sistema QuickSwitch em toda a linha, que permite trocar a pulseira em segundos”, comenta Rodolfo.
Um capítulo à parte é a linha Cartier Privé, voltada a edições mais especiais e colecionáveis, com peças como o Tank Normale, o Crash e o Tortue. “Em termos pessoais, o Tortue foi um dos pontos altos da feira. Proporções, curvas, presença de pulso – é o tipo de relógio que reforça por que o design Cartier é tão respeitado”, conta. “Em um ambiente cheio de novidades, ele conseguiu roubar a cena.”

FOTO: Divulgação Cartier
Rolex: inovação além da estética
A Rolex costuma ser vista como conservadora, no melhor sentido da palavra. Mas quem acompanha de perto sabe que a marca vem fazendo um movimento consistente de inovação, sem abrir mão da sua identidade. Sua grande estreia é uma nova liga de ouro batizada de Jubilee Gold, uma fusão entre o ouro rosa e o ouro branco. No papel, pode parecer apenas mais uma variação de material. Ao vivo, segundo Nelson, é outra história. “O Jubilee Gold é elegante sem ser chamativo, discreto, mas com um brilho muito particular, e principalmente, diferente de tudo que já vimos em termos de tom de ouro”, afirma. “No punho, ele passa aquela sensação de luxo silencioso”, completa.
Outro ponto interessante foi a ampliação da linha Oyster Perpetual em ouro para o público feminino. As novas referências combinam proporções elegantes, cores de mostrador muito bem escolhidas e a robustez técnica que a marca sempre entregou. “Nossa sensação é que, em pouco tempo, o mercado feminino de relógios de luxo vai ser tão disputado quanto o masculino – e movimentos como esse aceleram essa virada”.
Para marcar o centenário da coleção Oyster, a marca apresentou um Oyster Perpetual 41 mm comemorativo que surpreendeu. Ele combina aço e ouro (rolesor) de um jeito tão bem resolvido que fez os diretores da Montecristo revisarem uma crença antiga de que “tudo em ouro é sempre mais interessante”. “No pulso, o relógio se destaca por proporções equilibradas e um desenho de caixa e pulseira que conversa bem com o século XXI. É uma daquelas peças que, daqui a alguns anos, provavelmente será lembrada como um marco de época”, diz.

FOTO: Divulgação Rolex
TAG Heuer: novo capítulo para o Monaco
A TAG Heuer escolheu focar em um modelo que resume seu DNA: o Monaco. Nascido no m dos anos 1960, com seu formato quadrado e sua coroação lateral que desafiava tudo o que se chamava de “clássico” na época, o Monaco sempre foi um ícone de irreverência dentro da relojoaria suíça.
Agora, ele entra em uma nova fase. “A TAG Heuer desenvolveu um novo movimento de manufatura, atualizado para os padrões atuais de desempenho e confiabilidade, e o alojou em uma caixa de titânio grau 5, mais leve e mais confortável no dia a dia”, explica Nelson.
A nova geração do Monaco traz três interpretações visuais distintas, que conversam com públicos diferentes: uma versão azul que honra a imagem do Monaco, uma variante em verde com um ar mais elegante e contemporâneo, e um modelo preto com detalhes em ouro rosa, com um toque de sofisticação discreta. “É um bom exemplo de como se atualiza um ícone: sem nostalgia, mas respeitando totalmente o que fez o relógio entrar para a história.”

FOTO: Divulgação TAG Heuer
Tudor: maturidade na coleção
Se alguém ainda tinha dúvida de que a Tudor virou uma força própria no mercado de luxo, 2026 resolve a questão. Na visão dos especialistas, a marca entrega movimentos modernos, certi cações sérias, qualidade de montagem robusta e preços que, dentro do universo de relógios de luxo, são extremamente competitivos.
Na família Black Bay, as novidades mostraram que a coleção está cada vez mais madura. O Black Bay Ceramic é feito inteiramente em cerâmica, com especificações de ponta e um preço em torno de 52 mil reais. Para Rodolfo Semeoni, dentro do contexto de relojoaria de luxo, é algo difícil de acreditar à primeira vista. “Acabamento, tecnologia de materiais e posicionamento de preço formam um pacote muito agressivo frente aos concorrentes”, explica. O Black Bay 54 com mostrador e luneta azuis trouxe um equilíbrio perfeito entre “vintage” e “moderno”. É chique sem ser formal demais, moderno sem ser futurista demais. Já o Black Bay 58 redesenhado já era um sucesso mundial, mas ganhou um trabalho de re namento com a caixa mais na e aparência mais elegante no pulso.
Mas o grande ponto de emoção foi o lançamento de um modelo totalmente novo: o Monarch. “É raro colocar um relógio no punho e sentir, no primeiro segundo, que ele “funciona” perfeitamente. Com o Monarch, foi exatamente isso que aconteceu. O encaixe, o conforto, a ergonomia – tudo conversa bem com a proposta do relógio”, diz Rodolfo. Tecnicamente, vem muito bem armado: calibre exclusivo MT5662-2U, pulseira desenvolvida para o modelo, 65 horas de reserva de marcha e fundo em sa ra, que permite ver o movimento em funcionamento. É um relógio original, com identidade própria e potencial real de se tornar um novo pilar dentro da marca.

FOTO: Divulgação Tudor
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POR Tatiana Sasaki
FOTO DESTAQUE: Daniel Cancini
FOTOS: Divulgação

