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Roberto Migotto define sua visão sobre conforto e elegância na arquitetura de interiores

Roberto MIgotto veio do interior de São Paulo para se consagrar como uma grife da arquitetura de interiores – com projetos de fama internacional, incluindo celebridades e suas requintadas mansões. Sua marca registrada não é o luxo, mas o bom gosto e o conforto. E um imóvel com sua assinatura – um sobradinho ou mansão, um studio ou cobertura triplex – é sempre atração de mercado. Em entrevista exclusiva à GoWhere, ele arquiteta seus principais conceitos sobre morar bem – sob a exclusiva marca Migotto.

Como a arquitetura surgiu em sua vida? 

Meu avô, imigrante italiano e lavrador de grandes terras, punha a gente para plantar batatas… Mas eu tinha fixação por cidades grandes. E sempre quis ser arquiteto. Acho que nasci arquiteto… Na minha cidade (Taubaté), celeiro de famosos como Monteiro Lobato, Hebe Camargo, Cid Moreira, havia uma faculdade com um curso técnico de edificação – e com esse curso você poderia assinar um projeto com até 120 metros quadrados. Aí, só com o diploma de técnico, comecei a assinar projetos na região. Eu vivia “croquizando” o skyline da cidade. É destino… 

Como define sua arquitetura? 

Ser arquiteto é poder realizar, para uma pessoa ou família, o sonho de morar bem. Para isso, preciso ser um bom ouvinte e até um bom psicólogo, para interpretar o que os clientes querem. Penso numa arquitetura confortável, prática, viável e atemporal. Sempre em harmonia com o cliente. Mas há muita discussão desde a planta inicial, do layout ao acabamento. 

Evidentemente sua assinatura é só para a elite…

Sempre tive o cuidado de não rotular o que faço. E faço projetos de 80 metros para filhos de clientes que ainda não podem ter apartamentos de 300 metros. 

FOTO: Daniel Cancini

Você tem um estilo típico? 

Meu senso estético sempre foi muito exigente comigo mesmo. Fui evoluindo com o tempo e me convencendo, cada vez mais, de que a casa é onde a gente coloca nossas energias. E o cliente não vem do nada. Ele, por exemplo, vai jantar na casa nova de um amigo e quer saber quem fez aquilo. 

Quanto tempo leva um projeto seu de arquitetura até a entrega das chaves? 

O interior de um apê de 400 metros para começar do zero não se faz em menos de um ano, incluindo marcenaria fina. Um armário, dependendo das características, pode levar de três a quatro meses para ficar pronto. Não depende só do arquiteto – que, no meu caso, entrega até a flor do vaso, sempre em parceria com nossos clientes. Entregar a chave na mão e deixar tudo por nossa conta não existe. 

E a obra em si? 

Não faço obra. Acompanho, quero resultados. 

Qual é a importância da CasaCor em sua carreira? 

Minha primeira participação foi em 93. Estar na CasaCor é muito importante para arquitetos de minha geração – o prestígio é mais do que evidente. 

FOTO: Divulgação/ Victor Affaro

O que, basicamente, os clientes procuram num projeto seu? 

Conforto, praticidade, manutenção facilitada. O luxo, no caso, não é ouro – mas um estilo de vida, dentro de suas possibilidades. 

Como você define o papel de um arquiteto de interiores? 

Ser arquiteto é uma arte. Sua “tela” é um terreno vazio. Ou uma casa que está nascendo. Numa parceria afinada, tem que respeitar o que seu cliente tem ou pode ter. 

Quais são suas principais inspirações? 

Viagens, filmes. Numa recente viagem ao Marrocos, fiquei encantado, tanto na moda quanto na decoração. Mistura tradição milenar e elegância, com fortes influências berberes. Inspiração para vários projetos. 

Um nicho de mercado que também o encanta hoje: restaurantes. 

Sim. Depende do tipo de comida ali servida e entender a logística da cozinha e do serviço. Recentemente, fizemos o Donna di Nico Trattoria, com toques de Taormina, na Sicília, onde estive recentemente. 

FOTO: Divulgação

Voltando à “filosofia” da arquitetura de interiores: o que realmente precisamos para viver bem? 

Pode ser uma casa mais simples na montanha ou um super triplex na metrópole, a arquitetura de moradia, não de espaço público, remete a uma frase famosa de um filósofo francês: “Nossa casa é nosso canto do mundo, onde quer que a gente more, para repor nossas energias”. 

Na execução de um projeto, é comum o exagero, a excentricidade de orçamentos? 

Não. Super empresários são bem-sucedidos não à toa. Costumam pedir três orçamentos, no mínimo, têm equipes de gerenciadores de obra e é frequente ouvir deles algo como “Não posso gastar muito, nada de móveis importados”. 

Aliás, onde você mora?

Aqui perto do escritório (Vila Nova Conceição), numa cobertura duplex de 580 metros, com terraço e vista deslumbrante. Mas no fim de semana vou para o interior, numa área verde deliciosa, reviver minha juventude.

_________

POR Celso Arnaldo Araujo
FOTO DESTAQUE: Daniel Cancini
FOTOS: Daniel Cancini, Divulgação/ Victor Affaro e Divulgação

 

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