Marcelo de Carvalho: o empresário revela sua paixão pela Itália e pela gastronomia do país
O sobrenome público que o consagrou como um dos mais poderosos empresários do mercado de comunicação do país não revela a origem e a paixão desse neto e bisneto de italianos – cujo destino de viagens, por prazer e por serviço, é quase exclusivamente a Itália
Sua árvore genealógica tem forte sotaque. “Sou neto e bisneto de italianos. Meu pai, brasileiro, era conhecido comercialmente como Edro de Carvalho Fragali. Minha mãe era Bordinalli. O pai de minha mãe era Cacchione. Brinco que sou pan-italiano: Bordinalli do norte é Veneto de Treviso, Cacchione é do centro porque vem de Palena, na região de Abruzzo, e Fragali é do sul, calabrês de Catanzaro”, conta o empresário Marcelo de Carvalho. Fala italiano? “Falo bem, autoditada. Meus pais não falavam. Os italianos que vinham para o Brasil queriam ser brasileiros, assimilar a cultura brasileira. E contribuíam para o crescimento do país, ao contrário de outros imigrantes, cada qual a seu modo. Nosso DNA fala mais alto.” Um resumo da ficha de cada sobrenome da família de Marcelo: Fragali, construtor; Cacchione, músico e dono de um cinema mudo em São Paulo; Bordinalli, um boêmio…

FOTO: Arquivo Pessoal
O último prato
É óbvio que, para o bom vivant Marcelo de Carvalho, a gastronomia italiana é uma herança deliciosa e permanente. “Se me perguntarem qual é o último prato que eu gostaria de comer, eu diria: spaghetti carbonara.” Culturalmente, o legado também é obrigatório “A última música, La Vita Mia, de Amedeo Minghi.” Viagens de passeio? “Eu, minha mulher e os quatro filhos vamos invariavelmente para a Itália.” Quantas vezes foi ao país até hoje? “Ah, mais de 100…” A mais recente, com a esposa, três filhos e a enteada, para a Toscana, onde passaram o Natal e depois foram esquiar nas Dolomitas, cadeia montanhosa dos Alpes, “uma maravilha”. A próxima, já agendada, será para Roma, onde tem compromissos políticos e depois vai à Bienal de Veneza, ao lado da esposa, Chris Pitanguy, consultora de moda e luxo – e sua sócia num canal de gastronomia e lifestyle, o Mangia Bene, “um sucesso absoluto, com milhões de views.” É Marcelo, mantendo-se no universo das comunicações, depois da venda de seu lote de ações na RedeTV ao sócio Amilcare Dallevo. Mas ele não para nunca.
Fora da TV, dentro da nova supercasa
Recém-instalado em sua nova casa, no bairro do Morumbi, com as dimensões e o verde de um sítio, “mas metade de minha casa antiga”, ele também é um mestre na arte de receber filhos, agregados, amigos dos filhos, por vezes 20 pessoas. De onde vem a comida? De suas mãos e de suas panelas. “Eu mesmo cozinho. Semana passada, fiz uma lasanha à bolonhesa espetacular. Na semana anterior, um spaghetti com le polpette.” Claro, a culinária italiana é obrigatória na cozinha de Marcelo como hostess – e como visitante. Para ele, “São Paulo é uma das grandes capitais culinárias do mundo. E o grande promotor da cozinha italiana é o Gero Fasano.” Claro, Fasano não é para todos, mas para quem pode. Marcelo, agora fora da RedeTV, pode tudo e mais um pouco. Mas com regras rígidas.

FOTO: Arquivo Pessoal
Quem olha para trás…
Ele rege sua vida alcoholic com três dogmas indispensáveis: 1) Me comunicar 2) Vender 3) Assumir desafios tecnológicos. “O que me move? Sou um ser humano vendedor. Na ficha que faço nos hotéis, coloco ‘vendedor’ no item profissão. Comecei vendendo pratos, panelas, papel higiênico. Depois, publicidade e projetos de comunicação. Sigo vendendo.” Quanto aos desafios tecnológicos, Marcelo considera a Inteligência Artificial como a segunda maior criação do homem. “A primeira é o ar-condicionado, porque detesto calor.” O fundamental: “Trabalho obsessivamente. Durmo quatro horas por noite e às vezes levanto para fazer um memorando.” Sempre olhando pra frente: “Quem olha pra trás é retrovisor de carro.” E isso inclui integrar-se à política de “seu país”.
O referendo
Para Marcelo, a política brasileira deteriou-se a tal modo que é impossível participar dela. A Itália foi uma opção natural. “Passei a me preocupar com o que se passa no Parlamento local.” Para ele, o tema vital ali debatido hoje são as regras para a adoção da cidadania italiana, historicamente transmitida de pai para filho, sem limite de geração. “No ano passado, a Itália modificou isso, restringindo a cidadania a filhos e netos de quem nasceu no país. Isso é um tapa na cara de nossa comunidade. Somos os maiores embaixadores made in Italy do mundo e estou batalhando pelo restabelecimento de nossos direitos. O Brasil é a maior comunidade de italianos fora da Itália. Somos 30 milhões de descendentes e cerca de 800 mil com cidadania reconhecida, que votam em deputados e senadores que nos representam.” Marcelo acaba de se envolver num referendo que discutia um aspecto sensível da reforma do Judiciário: a separação das carreiras de juiz e promotor. Marcelo resume: “Fizemos a campanha ‘Sim Aqui’. Estou sempre envolvido com todos os assuntos que afetam a comunidade ítalo-brasileira.” Marcelo Carvalho Fragali Bordinalli Cacchione é um duplo cidadão exemplar.
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POR Celso Arnaldo Araújo
FOTO DESTAQUE: Daniel Cancini
FOTOS: Divulgação

