Descubra por que os peptídeos viraram a nova febre no universo da beleza
O interesse pelos peptídeos nunca foi tão grande. Esses compostos ganharam visibilidade recentemente com a divulgação de protocolos injetáveis nas redes sociais com promessas que vão desde melhora estética até ganho de massa muscular, emagrecimento e longevidade.
“Os peptídeos são cadeias curtas de aminoácidos capazes de atuar como mensageiros biológicos, estimulando processos importantes no organismo, como a produção de colágeno, a modulação metabólica e a regeneração tecidual”, explica a farmacêutica Patricia França, gestora científica da Biotec.
No entanto, a popularidade dessas substâncias exige atenção redobrada para garantir resultados satisfatórios sem colocar a saúde em risco.
“Os peptídeos são realmente muito eficazes e grandes contribuidores da saúde, beleza e longevidade. O principal ponto de atenção não está nos peptídeos em si, mas na forma como são utilizados e em sua procedência”, acrescenta Patricia França.
Atualmente, são divulgados protocolos experimentais realizados com substâncias sem evidências cientificas ou padronização adequada. “Consequentemente, é difícil prever resultados, além dos riscos de efeitos secundários e a longo prazo serem desconhecidos”, alerta a farmacêutica.
Mas os peptídeos não são todos iguais e é importante diferenciar substâncias experimentais de ativos consagrados com evidência científica e segurança documentada.
“Com o avanço das pesquisas científicas e meios de produção, os peptídeos deram um grande salto no que diz respeito à eficácia e segurança. Em geral, são bem tolerados e eficazes quando usados de forma correta, sob supervisão de um profissional habilitado, apresentando baixo índice de efeitos colaterais e alta seletividade devido a interações específicas com os alvos/receptores”, explica Patricia.
Nesse contexto, destacam-se peptídeos desenvolvidos para uso oral e tópico, que podem ser incorporados de forma segura a protocolos médicos e dermatológicos individualizados.
Para uso tópico, uma grande novidade é o Exo.Cell Care, criado a partir da exclusiva tecnologia Molecular Vision, que mimetiza a ação das plaquetas, consideradas a maior fonte natural de regeneração do organismo. “Em vez de utilizar diretamente essas estruturas biológicas, a tecnologia observa, interpreta e recria os sinais regenerativos das plaquetas em forma de peptídeos para ativar, com maior precisão e previsibilidade, vias celulares relacionadas à produção de colágeno, ao reparo tecidual e ao crescimento capilar”, detalha a farmacêutica Maria Eugênia Ayres, gestora Farma da Biotec. Ela explica que o ativo, disponível nas versões Skin e Hair, se inspira na comunicação celular dos exossomos, mas de forma mais precisa. “Em vez de múltiplos sinais simultâneos, o Exo.Cell Care entrega estímulos direcionados graças à tecnologia S.E.T.A. Ela funciona como um verdadeiro GPS celular, transportando os peptídeos de forma segura e estável até as células e receptores corretos, com liberação prolongada e contínua para máxima eficácia”, acrescenta a farmacêutica.
A farmacêutica Patricia França também destaca ativos como Alistin e Progeline como outros peptídeos importantes para uso tópico. “Alistin é um peptídeo biomimético da carcinina, com potente ação antioxidante e antiglicante. Ajuda a neutralizar os radicais livres, protege as proteínas da pele dos malefícios do açúcar e auxilia na manutenção da saúde e integridade da pele. Já o Progeline é um peptídeo biomimético derivado da elafina capaz de inibir a progerina, uma proteína que acelera o envelhecimento e compromete a funcionalidade das nossas células. Com essa ação predominante na beleza celular, consegue agir em diferentes causas do envelhecimento cutâneo, devolvendo à pele mais vitalidade, recupera a juventude e arquitetura da pele, uma remodelação facial completa, diz Patricia França.
Para a suplementação oral, ingredientes como o antiglicante Glycoxil e o neuromodulador metabólico Modulip GC são destaques, assim como ingredientes peptídicos que atuam no funcionamento das mitocôndrias. “Ao pensarmos no combate ao envelhecimento e melhora do desempenho em atividades físicas, as mitocôndrias têm recebido mais atenção. Essa estrutura celular é responsável pela síntese de ATP, podendo ser considerada a ‘casa de força’ celular. E sem energia, as funções orgânicas decaem”, detalha Patrícia.
Para atuar sobre essa questão, são indicados peptídeos como o Bio-Arct. “Ele atua não somente aumentando a atividade mitocondrial, mas também favorecendo a vasodilatação e a regeneração muscular. Ele estimula a produção de óxido nítrico e participa da ativação de proteínas e células relacionadas ao reparo celular e muscular. Com o aumento da energia celular e muscular, os benefícios vão muito além de uma pele mais firme e jovial, impulsionada pelo colágeno e pela elastina. O ganho real está em um corpo mais funcional, graças à melhora da oxigenação dos tecidos, do aporte de nutrientes e da eliminação de toxinas, o que otimiza diretamente a performance muscular”, acrescenta.
E os peptídeos também passaram a ser incorporados como coadjuvantes em tratamentos de emagrecimento com medicamentos análogos de GLP-1. Nesse sentido, um exemplo inovador é o SlimPro, um peptídeo extraído do filé de merluza azul. “O SlimPro modula os sinais de saciedade e inibe substâncias que estimulam a fome. Assim, contribui para a perda de peso sustentável, sem comprometer a massa muscular ou causar náuseas e vômitos, além de poder ser usado para evitar o reganho de peso durante o desmame das canetas”, explica a gestora científica da Biotec. O Modulip GC também é indicado nesses casos, pois é capaz de reequilibrar a via bioquímica da lipólise no organismo, o que contribui para a perda de gordura, incluindo a visceral. “Os peptídeos também podem ajudar a combater a disfunção mitocondrial, que ocorre devido à restrição energética prolongada comum nesses tratamentos. Nessas situações, tecidos altamente dependentes de energia, como músculos, pele e sistema imunológico, podem ser afetados, resultando em cansaço persistente, recuperação mais lenta e perda de vitalidade. Então, o uso de Bio-Arct é recomendado justamente por atuar no suporte à atividade mitocondrial”, detalha.
Mas, diante da crescente popularização dessas substâncias, a especialista reforça que o uso de peptídeos deve sempre ser orientado por profissionais habilitados. “Quando bem indicados e utilizados da maneira correta, esses ativos são importantes aliados na promoção da saúde, da estética e da longevidade”, explica Patrícia França. “A tendência é que os peptídeos continuem ganhando espaço na prática clínica, mas é sempre importante que seja prezado pelo uso de maneira individualizada e criteriosa, com ativos seguros, padronizados e de eficácia comprovada. O futuro dos peptídeos está menos ligado a promessas rápidas e mais à medicina regenerativa baseada em ciência”, finaliza.
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FOTO: Adobe Stock

