Comunicação Estratégica

Aprenda a se comunicar de forma impactante e positiva

Por: Analice Nicolau
Jornalista, Mentora de Comunicação e CEO da agência AN Connect


Como treinar a mente a ter mais foco em um mundo dependente da dopamina

Final de ano passou e ninguém prestou atenção. Enquanto brindávamos promessas de Ano Novo em família, com amigos, no trabalho ou até mesmo sozinhos, um ladrão silencioso roubou nosso maior ativo: o foco profundo.

Janeiro de 2026 chega carregado de listas de metas que 80% abandonaremos até fevereiro. Não falta força de vontade ou planejamento falho. É pura neuroquímica traidora. Redes sociais, notificações impiedosas e conteúdos de 15 segundos nos programaram para dopamina rápida, aquele pico fugaz de prazer que nos mantém rolando eternamente, mesmo com o coração limitado sabendo que deveríamos parar e criar de verdade.

Lembro vividamente de Carla, executiva de uma agência de 42 anos, que me chamou em lágrimas há duas semanas: “Analice, eu sei que sou talentosa, mas vivo em pânico constante. Não consigo mais sustentar um pensamento por 2 minutos sem verificar o celular”. Anna Lembke descreveu isso perfeitamente em seu livro Dopamina Nation : likes, stories e Streaks liberam dopamina em picos tão intensos que criam tolerância química, precisando de doses cada vez maiores, mais rápidas.

Como colunista de Comunicação Estratégica Positiva na GoWhere, testemunho diariamente marcas e líderes, perpetuando o ciclo: confundem atenção fragmentada com engajamento autêntico. Simplesmente não tem mais aquela “Conexão”. Dados revelam que CEOs brasileiros consomem conteúdo inferior a 5 minutos. Ninguém mais mergulha com profundidade. Mas há luz no fim desse túnel digital. O antídoto mora no oposto radical do vício: a construção de um hábito que cultiva paciência, constrói confiança orgânica e restaura a alma criativa.

Essa abordagem não é só teoria bonita, ela me salvou quando eu mesma estava afogada em notificações e prazos. A Comunicação Estratégica Positiva funciona criando conteúdos que curam o cérebro fragmentado das pessoas, em vez de viciá-lo ainda mais. Chega de correr atrás de algoritmos! Esquece aqueles reels feitos em laboratório, testados em 10 mil miniaturas diferentes para prender você a qualquer custo. A gente precisa criar algo mais humano, mais verdadeiro. Pense em sequências que funcionam como novela das 9 do cérebro, usando o efeito Zeigarnik, aquele truque psicológico onde ficamos obcecados por histórias pela metade.

Por exemplo: uma newsletter no Linkedin que roda 7 dias seguidos. No final de cada dia, você deixa um gancho sutil que faz o leitor pensar “preciso voltar amanhã pra saber o resto”. Ou podcasts de 45 minutos que não são só papo direto, no meio, você coloca pausas guiadas de respiração profunda, aqueles 30 segundos onde a pessoa fecha os olhos e simplesmente volta pro corpo dela. É como musculação disfarçada de conversa boa. Treina o cérebro pra voltar, pra ter paciência, pra gostar de conteúdo que exige um pouquinho mais. E você sabe o que acontece? As pessoas se apaixonam pela sensação de controle que isso dá. Elas voltam querendo mais, não por vício, mas por escolha consciente. Os resultados? Emocionantes demais pra não compartilhar.

2026 marca o divisor definitivo entre os eternamente distraídos e os raros focados. Marcas éticas não competem por atenção barata; construir impérios de confiança exige profundidade. Líderes visionários, respiram fundo e ousem pausar 24 horas agora. Sintam a dopamina estabilizar, a criatividade borbulhar, a claramente abraçar como velha amiga. O scroll infinito pode esperar eternamente. Sua ideia revolucionária, sua conexão lógica, seu legado imortal, não.

Qual é a maior ladra de foco na sua rotina? Foco total não é meta de Ano Novo. É a escolha diária que começa… agora.

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FOTO: Adobe Stock

*Esse texto, em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões a partir da interpretação de fatos e dados coletados, é de responsabilidade integral do mesmo. O artigo não reflete, necessariamente, a opinião da GoWhere.