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Brasil fecha 2025 melhor do que o esperado e entra em 2026 sob novos desafios

2025 foi um ano de muitas incertezas para a economia brasileira que, no final das contas, conseguiu ter uma performance melhor que a esperada. Nos últimos meses é que começou a dar sinais de desaceleração, como o PIB do terceiro trimestre, com expansão de apenas 0,1%. Não deixa de ser uma surpresa o vigor da atividade, diante da manutenção de juros tão altos – a Selic nos 15% – durante tanto tempo. O tal tempo suficientemente prolongado para assegurar a convergência da inflação para a meta, sempre citado pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). O mercado de trabalho foi um dos principais focos de resiliência, tanto na expansão do emprego – a última PNAD com a taxa de 5,4%, registrou a menor desocupação da série histórica –, como da renda, com aumentos recordes da massa de rendimentos. Aliás, esse foi um dos motivos da sustentação da atividade, junto com os programas de transferência de renda do governo, os benefícios sociais, além das linhas de crédito direcionado, com juros mais baixos, como na aquisição de moradias e outras linhas.

As perspectivas da política de juros

Se, por um lado, esses fatores ajudaram a dar fôlego para a economia, por outro, reduziram o efeito da política monetária. Ainda que os juros mais altos tenham elevado bastante o custo do crédito, ampliando também o endividamento e a inadimplência, o que tende a dar uma freada na demanda, a maior disponibilidade de recursos em circulação deu uma sustentação acima do previsto. E quando há demanda, há espaço para reajustes de preços, como tem ocorrido, especialmente, no setor de Serviços. Condição que ainda pode determinar maior lentidão no ritmo de cortes da Selic, que vai começar em 2026. Mas, antes da última reunião do Copom, o mercado já antecipava a probabilidade maior de início dos cortes em março e não em janeiro, como esperava até poucas semanas antes.  Vale observar que mesmo com o IPCA, a inflação oficial, abaixo do teto da meta de 4,5%, no acumulado em 12 meses, e com as projeções do mercado para o fechamento de 2025 até menores, assim como as previsões para os próximos anos, a trajetória de convergência para o centro da meta, os 3%, objetivo do Banco Central, ainda parece distante. Pode ser atingido lá para 2028 apenas. Na composição do IPCA de novembro, que subiu apenas 0,18% (menor variação para o mês em sete anos), com avanço de 4,46% em 12 meses, Serviços, menos sensíveis aos juros, ainda mantiveram altas de preços bem acima do índice. É um dos fatores, até ressaltado nos comunicados do Copom, que vêm reforçando a cautela na condução dos juros, mesmo com a evolução melhor do índice cheio. O mercado financeiro, que já tinha assimilado essa postura conservadora do Copom, tem incorporado a mesma cautela nas expectativas quanto aos cortes da Selic. Pode questionar, mas sabe que não pode esperar flexibilização maior na condução dos juros.  

Incertezas fiscais e na política

E o fato é que outros fatores ainda afetam as perspectivas para a inflação. As incertezas fiscais também são um entrave para o afrouxamento da política de juros, na medida em que os gastos públicos, dúvidas quanto ao cumprimento das metas previstas no arcabouço, com a dívida em expansão, podem gerar pressões inflacionárias adicionais. O Congresso, que tanto cobra cortes de gastos do governo, na prática, tem feito muitas concessões, reforçando essas incertezas. É o que ocorreu, por exemplo, nas arrastadas negociações para definição da lei orçamentária de 2026. No papel é até possível que o governo cumpra a meta de um superávit de 0,25% do PIB. É o previsto. Mas poderá trabalhar na margem de tolerância, de um déficit zero. Margem usada até para definir o limite dos gastos. Sendo que, desse limite, ainda foram excluídos, por exemplo, gastos referentes à reestruturação das estatais, onde os Correios são um dos principais desafios, tentando reverter os rombos progressivos. Bom lembrar que as benesses orçamentárias não foram só para o governo. Houve contrapartida. O Congresso colocou como pauta prioritária nas negociações um apertado cronograma de liberação das emendas, antes das eleições, a maior parte até julho, além de ampliação do fundo partidário e do eleitoral, que não poderão ser alvo de contingenciamento. Se as receitas não atenderem às expectativas, o governo terá de segurar outros gastos.  Em meio a embates, como a indicação de Jorge Messias, para o STF, cassações, dosimetria e os projetos da área de Segurança – também alvos de disputas políticas – houve uma certa “trégua” para viabilizar a definição do orçamento sem o atraso registrado este ano. A aceleração das discussões, antes da virada do ano, buscou evitar o comprometimento da liberação das emendas e a necessidade de o governo conter despesas, no início de 2026, ano de eleições. Foi quase um jogo de ganha, ganha. Eleições que também ampliam as dúvidas quanto à evolução da atividade, inflação e juros. Deve ser um período de aumento dos gastos públicos, não apenas na área federal, já que também haverá renovação do Congresso, das assembleias e governos estaduais. E possíveis reflexos para a economia não vêm só da transferência de recursos, de mais investimentos. O governo conseguiu garantir, por exemplo, a ampliação da faixa de isenção do imposto de renda, promessa de campanha do presidente Lula, que vai assegurar um reforço de renda para milhões de brasileiros. O que, mais do que dividendos políticos, pode favorecer a demanda, que sempre embute o risco de mais pressões de preços. As próprias eleições, as expectativas relacionadas à definição dos candidatos, a evolução das pesquisas, podem ter desdobramentos econômicos. Isso pode ocorrer via reações do mercado, por exemplo. A perda de força do dólar, que colaborou para uma evolução melhor da inflação, pode não se sustentar ou, pelo menos, não ser tão favorável. A política pode trazer maior instabilidade.  

FOTO: Adobe Stock

A influência externa

Nesse sentido, importante ressaltar também o peso do cenário internacional. Parte da queda do dólar veio das incertezas relacionadas à economia dos Estados Unidos, diante das políticas de Trump, entre elas, a tarifação das importações. 2025 foi marcado pelas sucessivas idas e vindas que, no caso do Brasil, tiveram impacto até do lado político. A firmeza, o discurso pró independência do País, o nacionalismo, deram um impulso na avaliação do governo Lula, que pode nem ter se mantido. Mas deixou evidente o quanto fatores externos podem influenciar o ambiente doméstico. Em termos econômicos, o País até se saiu bem. Embora alguns setores tenham sofrido com mais intensidade o impacto das tarifas, a balança comercial manteve bons resultados até pela abertura de novos mercados. O agro foi um bom exemplo. Todo esse processo ainda teve o saldo positivo de deixar o Brasil menos dependente das vendas para o mercado norte americano, ainda que seja um dos principais parceiros comerciais do País. O mercado financeiro local também sentiu a influência das decisões e expectativas quanto à política monetária dos Estados Unidos, cujo nível dos juros afeta o fluxo de investimentos pelo mundo, com impacto nas Bolsas, no câmbio e até nas curvas de juros. Juros menores nos EUA podem ser um problema a menos para o Copom na calibragem dos juros. Desde que o Brasil consiga manter a atratividade. No que depender do diferencial dos juros, em princípio, não haverá problemas. Vai continuar elevado. A questão é o quanto as condições internas não poderão influenciar as decisões de investimento, não vão pesar no fator risco. Por aí é importante lembrar das incertezas fiscais e quanto aos rumos políticos, em um ano de eleições. Não se pode descartar também fatos inesperados no cenário geopolítico, onde conflitos, por exemplo, podem gerar movimentos de aversão ao risco dos mercados ou influenciar os preços de commodities, com reflexos na inflação entre outros desdobramentos.

O que esperar para 2026

Nesse emaranhado de dados e dúvidas, o balanço de 2025 pode ser considerado bom. E para 2026, por enquanto, não se prevê nada muito diferente quanto ao andamento da economia. O impacto acumulado dos juros altos deve levar a uma expansão menor do PIB, provavelmente, com alguma freada do emprego. Mas, além da expectativa de inflação e juros, também, um pouco mais baixos, tem os estímulos públicos, até por ser um ano de eleições. Agora, é importante não perder de vista os problemas estruturais. É o caso das contas públicas, que seguem uma trajetória preocupante, principalmente pela evolução da dívida e redução do espaço para despesas não obrigatórias, mas fundamentais para a manutenção da máquina pública, de serviços essenciais, além de investimentos em infraestrutura. Não é ajeitando o orçamento, excluindo algumas despesas do limite de gastos, ou ampliando receita com medidas tributárias, que se vai conseguir colocar ordem na casa, promovendo um ajuste fiscal crível. É difícil esperar mudanças maiores em um ano de eleições, mas não se pode tirar do radar reformas, como a administrativa, uma nova etapa da previdenciária, revisão de gastos tributários e também de despesas obrigatórias que engessam o orçamento. Nem tudo depende só das finanças públicas. Mas uma gestão mais eficiente – que em alguns aspectos depende de mudanças na legislação –, é fundamental para atender melhor as necessidades dos brasileiros, como em relação à educação, saúde, segurança, questões ambientais e infraestrutura. Em termos macroeconômicos ainda temos pela frente o início da implementação da reforma tributária, com muitos pontos de questionamentos, até em relação aos impactos setoriais. Seria bom que o jogo político levasse tudo isso em conta. Ruim demais ver o quanto pautas prioritárias são tratadas ou deixadas de lado sob a ótica da política, atrasando ou comprometendo resultados mais eficazes. Mas nada de desânimo. Avanços importantes têm ocorrido. E, em meio a muitas incertezas e desafios, podemos ter um bom 2026. Que assim seja!

 

________

POR Denise Campos de Toledo
FOTOS: Adobe Stock

 

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