gw-30anosgw-30anosgw-30anosgw-30anos
  • Vida e Estilo
  • Beleza
  • Gastronomia
  • Turismo
  • Gente e Cultura
  • Mobilidade
  • Business
  • Go Recomenda
  • Receitas
    • Carnes
    • Doces e Sobremesas
    • Drinks
    • Massas
    • Pães
    • Peixes e Frutos do Mar
    • Petiscos
    • Sanduíches
    • Veggies
  • Colunas
    • Comunicação Estratégica
    • GoWhere Visita
    • Moda High-low
    • O Mapa das Tendências
    • Turistando SP
✕
No results See all results

A trajetória de Catherine Petit no mercado de bebidas premium

Entre um Partagas e uma taça de champanhe, Catherine Petit construiu uma carreira que parece ter sido desenhada para o universo das bebidas premium. Apaixonada por charutos e criada em meio aos vinhos de Bordeaux, no sudoeste da França, ela chegou ao Brasil no começo dos anos 2000 vinda da área de auditoria. Formada em Administração de Empresas pela École Supérieure de Commerce de Paris, passou por seguradoras até encontrar seu lugar na Moët Hennessy, em 2007. Nove anos depois, foi promovida a gerente geral para a África do Norte, Oeste, Central e Médio Oriente, e retornou à França. De lá, monitorava os distribuidores espalhados por 25 países e acompanhava de longe o Brasil. Em março de 2020, em plena pandemia, voltou para reestruturar a operação local da Moët Hennessy e da Chandon Brasil. O timing não poderia ser mais desafiador: chegou junto com o lockdown, sem conhecer as equipes pessoalmente, para reposicionar marcas e recuperar terreno perdido. Diretora-geral da operação brasileira do braço de vinhos e destilados do grupo LVMH – gigante do setor que teve lucro líquido de 12,5 bilhões de euros em 2024 – Catherine acompanha um fenômeno curioso: enquanto as vendas de champanhe e espumantes caem na Europa e nos Estados Unidos desde o fim da pandemia, o consumo brasileiro segue em alta. À frente de um portfólio que reúne marcas como Moët & Chandon, Dom Pérignon, Veuve Clicquot, Hennessy e Glenmorangie, Catherine observa de perto o apetite do consumidor brasileiro por sofisticação. Para ela, o país representa algo raro no mercado de luxo: um consumidor que celebra mesmo em tempos difíceis e enxerga qualidade onde outros veem apenas preço alto.

Catherine, como foi sua trajetória até chegar no mercado de bebidas alcoólicas?

Comecei minha carreira em auditoria, ou seja, nada a ver com o mundo de bebidas alcoólicas. Sou formada em Administração de Empresas, com especialização em Finanças, e depois de atuar como auditora me tornei business controller. Foi assim que entrei no mercado de bebidas, com uma primeira experiência na Pernod Ricard, aqui no Brasil. Trabalhei três anos lá e depois fui contratada pela Moët Hennessy para um cargo de Business Development na região que cobria América Latina e África. Viajei intensamente e passei mais tempo em campo, com foco específico na África, continente onde o grupo tinha grande ambição de crescimento. Depois de nove anos, fui promovida a General Manager para uma parte da África (25 países) e me mudei para a França para assumir esse cargo. Após quatro anos, fui nomeada diretora-geral da afiliada no Brasil e retornei a São Paulo.

FOTO: Divulgação

É um ambiente tradicionalmente masculino, certo? Você enfrentou algum tipo de machismo?

O fato de ser mulher me trouxe vantagens e desvantagens. O mundo das bebidas era — e continua sendo — extremamente masculino e há bastante preconceito sobre a capacidade das mulheres de atuar nesse mercado. Vários países que cheguei a gerenciar são machistas, em particular os países muçulmanos, onde as mulheres não ocupam cargos gerenciais. Mas outros países, ao contrário, são matriarcais. Por exemplo, na África Ocidental e Central, os cargos de confiança costumam ser ocupados por mulheres, que são consideradas mais responsáveis. A Moët Hennessy, por sua vez, tem uma preocupação forte em promover a diversidade, em particular no acompanhamento das mulheres na liderança. Eu tive muito apoio dos meus chefes e me beneficiei de programas de coaching específicos para mulheres, que me ajudaram a enfrentar resistências e preconceitos que, infelizmente, ainda existem.

Você chegou ao Brasil nos anos 2000 e voltou em 2020 para comandar a Moët Hennessy e a Chandon em meio à pandemia. O que mudou mais em você – e no Brasil – nesse meio tempo?

Esses 20 anos foram de muito crescimento para mim. Os primeiros 15 anos de Brasil foram ricos em experiências pessoais e profissionais. Casei, tive um filho, me divorciei, tive que aprender a criá-lo sozinha e, ao mesmo tempo, tocar minha carreira. Trabalhei em três empresas diferentes, gerenciei times diversos, desenvolvi negócios em vários países e conduzi muitos projetos em áreas distintas. Quando saí do Brasil, em 2016, foi com grande peso no coração, pois este país se tornou meu país do coração. Os quatro anos seguintes foram intensos, tanto profissionalmente, já que estava em um cargo de liderança, quanto pessoalmente, com a descoberta de muitos países e culturas diferentes. Ao mesmo tempo, o Brasil enfrentava uma série de crises (Lava Jato, crise econômica, instabilidade política…), e eu via de longe a empresa perdendo negócios e a França perdendo o interesse por um mercado que, para mim, ainda tinha enorme potencial. Por isso, fiquei feliz por poder voltar e tentar recolocar o país no radar do grupo. O Brasil que encontrei em 2020 estava apenas começando a se recuperar da crise e percebi fraturas — políticas, e, infelizmente, isso ainda é visível —, mas também sociais. Os movimentos Me Too e Black Lives Matter, iniciados nos Estados Unidos, tiveram bastante impacto no Brasil. Sobre essas dores, veio a pandemia, com todo o medo e as dúvidas em relação ao futuro. Mas o Brasil é um país resiliente, otimista e criativo, e está demonstrando que sabe “levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima”. E foi isso que conseguimos fazer também na Moët Hennessy.

FOTO: Divulgação

Sua atuação já passou por diversas regiões como América Latina, Oriente Médio e África. Como essas experiências moldaram sua visão de negócios e gestão?

Sempre atuei em mercados chamados de “emergentes”. Embora tenham muito potencial, são mercados desafiadores e exigem uma gestão diferenciada. É preciso ter flexibilidade, abertura cultural, agilidade e coragem. Os negócios flutuam muito mais do que em países maduros, e é necessário entender muito bem as culturas e as formas de pensar. Tentar impor um modelo europeu não funciona.

O que torna o mercado brasileiro tão singular e desafiador dentro da operação global da Moët Hennessy?

Fala-se muito que o Brasil não é um país para amadores. Existe muita complexidade que torna os negócios difíceis e arriscados. A complexidade tributária, por exemplo, é algo que o grupo tem dificuldade para entender, e isso gera apreensão, especialmente quando se trata de fazer investimentos. Embora se reconheça o potencial do Brasil — o tamanho do mercado, o “oceano azul” que ainda existe no segmento de bebidas, em particular na categoria de vinhos —, ainda há certo receio por parte do nosso acionista. É preciso muita paciência, trabalho de comunicação e promoção do Brasil.

FOTO: Divulgação

E como está o Brasil em comparação a mercados mais maduros, como Europa e EUA?

O Brasil é um mercado ainda muito “cru” quando se fala em consumo de bebidas alcoólicas. Noventa por cento do mercado ainda é dominado pela cerveja e, dentro dos 10% restantes, grande parte se refere ao consumo de cachaça. Como mencionei, há um oceano azul de consumidores que estão apenas descobrindo e se interessando pelo mundo do vinho, por exemplo. Esse interesse cresceu durante a pandemia, e o consumidor brasileiro demonstra que quer saber “o que está dentro da taça”, quer aprender mais e, se consome menos, quer sempre produtos de maior qualidade. Nós estamos indo muito bem aqui no Brasil nesses últimos anos e acredito que chamamos a atenção da Moët Hennessy como mercado com potencial de crescimento. Esse destaque se deve também ao contexto difícil em outros mercados estratégicos do grupo, que o leva a explorar novos territórios.

Quais são as grandes tendências no consumo de bebidas premium nos próximos anos?

Acredito que o fenômeno de relação diferente ao álcool veio para ficar, as pessoas estão mais preocupadas com o que elas consomem e aspiram a menor quantidade e maior qualidade. Bebidas de alto padrão tem padrões de qualidade extremamente elevados: a qualidade dos ingredientes, o cuidado no processo de produção e a expertise na elaboração são elementos que vão sempre ser um diferencial importante.

Para terminar, qual o seu charuto e rótulo de bebida alcoólica preferidos? 

Charuto é o Partagas. Rótulo… tenho muitos preferidos!

FOTO: Divulgação

____________      

POR Jennifer Detlinger
FOTOS: Divulgação

Compartilhar
GoWhere

É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

Sobre a GoWhere

  • Institucional
  • Assine a GoWhere
  • Anuncie
  • Download App
  • Revistas Customizadas
  • Siga a GoWhere

Assine

  • GoWhere Lifestyle
  • GoWhere Gastronomia
  • GoWhere Business

Onde estamos?

Alameda dos Jurupis, 1005
1º andar - Moema - São Paulo
CEP: 04088-003
Tel.: (11) 97094-1911

Todos os direitos reservados. Produzido por StoryBrand.
No results See all results