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Dinho’s celebra 65 anos e mantém o legado que transformou as churrascarias

Fundado em 1960 pelo restaurateur Fuad Zegaib (1932-2022), o Dinho’s, um dos restaurantes de carne mais icônicos da cidade, completa 65 anos em 2025. Esse feito é motivo de orgulho para o chef Paulo Zegaib, filho de Fuad que está à frente do restaurante. “Eu fico muito feliz em ver que, após tantos anos, o Dinho ‘s segue firme e forte no mercado. O reconhecimento dos nossos clientes é o melhor presente que eu poderia receber”, diz ele. O restaurante marcou época ao lançar inúmeras tendências na cena gastronômica paulistana. O Dinho (apelido de Fuad que dá nome ao restaurante) foi um dos primeiros a servir alguns itens que são corriqueiros no menu dos restaurantes. É o caso do carpaccio e da mussarela de búfala. “O meu pai era um visionário e o precursor em muitos conceitos que se vê por aí até hoje”, diz Zegaib. Dinho’s também foi um dos primeiros a montar uma mesa de saladas no salão, algo que foi amplamente reproduzido por estabelecimentos do gênero. “Antigamente, as churrascarias rodízio trabalhavam somente com espeto corrido e guarnição. Quando começamos com a mesa de saladas, logo outros restaurantes começaram a oferecer também”, conta o chef do Dinho’s. Outra inovação da casa foi a feijoada, um dos carros-chefes do cardápio e que, quarenta anos atrás, ganhou uma nova roupagem pelas mãos do Dinho. O prato tipicamente brasileiro era servido no buffet, mas ele teve a ideia de separar pertences como calabresa, carne-seca, costelinho, lombo e orelha – para a alegria da clientela. Até hoje, o buffet, que inclui pedidas como farofa, panceta assada e bacon, está disponível às quartas e sábados no salão do restaurante no térreo do hotel Qoya, na mesma Alameda Santos em que a casa surgiu. Já na sede, nos Jardins, o prato está disponível todos os dias, mas no esquema à la carte. 

FOTO: Daniel Cancini

O sushi da discórdia  

Nem todas as tendências, porém, são vistas com bons olhos por Zegaib. Um exemplo disso é o sushi, que marca presença em muitos buffets de churrascaria – no melhor estilo “ame ou odeie”. “Como eu gostava muito de sushi, eu pensei em incluir algumas opções na nossa mesa de pescados e de frutos do mar, somente às sextas-feiras”, lembra ele. Tempos depois de trazer a novidade, Zegaib passou alguns meses no exterior. E, na volta, para a sua surpresa, a equipe estava servindo sushi todos os dias aos clientes. “O gerente me disse que todo mundo estava pedindo, mas cortei imediatamente. O sushi na churrascaria é uma ‘culpa’ que eu carrego (risos)”, lembra ele. Outro exemplo é o dry aged, um método de maturação de carnes a seco e sob temperatura controlada, que chegou a ser utilizada no Dinho’s, mas que foi deixada de lado. “Para o tipo de carne que a gente trabalha, o melhor é o ‘wet aged’, ou maturação úmida, que preserva as características da carne”, afirma Zegaib. 

Ode à carne  

Famoso pelo bife de tira, que foi criado ali mesmo e é extraído do centro da picanha, o Dinho’s bem que poderia ficar nos cortes clássicos. No entanto, pai e filho sempre foram em busca de novidades pelo mundo afora. E, de olho nas tendências, eles trouxeram cortes como o t-bone ao estilo Peter Luger, uma steak house que fica em Nova York (EUA). “Quando o restaurante chegou ao centenário, eu e o meu pai fomos lá e provamos o t-bone. Entrei na cozinha para aprender o preparo e fizemos uma versão nossa. Diferentemente deles, que preparam a carne no forno a gás, nós fazemos na grelha”, explica Zegaib, que serve a carne destacada do osso e mergulhada em uma borbulhante manteiga clarificada. Já o prime rib, uma carne com osso de formato alongado, surgiu no cardápio do Dinho’s por acaso. Certa vez, quando Fuad acompanhou uma desossa, ele viu a peça com osso comprido e decidiu servir essa carne no Dinho’s. “Se for pensar comercialmente, não compensa comprar a carne com osso, porque estou pagando pelo peso. Mas esse corte é de uma beleza que impressiona. Por isso que eu digo que sempre tinha algum detalhe especial em tudo que ele fazia”, diz Zegaib.  

FOTO: Wellington Nemeth

Dinho’s hoje 

Depois de mais de cinco décadas funcionando no mesmo endereço da Alameda Santos, o Dinho’s recebeu uma proposta de compra do terreno e o restaurante foi transferido para um amplo imóvel na rua Barão de Capanema, na região dos Jardins. Durante esse processo de mudança, somado com a pandemia, o restaurante ganhou a concorrência para operar no térreo do hotel Qoya, pertencente à rede Hilton. Com projeto arquitetônico assinado pelo arquiteto Felipe Diniz, tem pé direito alto e estilo clássico. E, para 2026, está nos planos de Zegaib abrir uma loja especializada de carnes, a Central Dinho’s, que vai funcionar no Paraíso, onde fica o escritório da marca. Além de uma seleção de cortes, o empório vai reunir itens congelados como pão de queijo e coxinha, além de acessórios para churrasco. Embora esteja longe da aposentadoria, Zegaib já está preparando a sua filha, Isabella, para seguir o seu legado. Atualmente, ela é gerente do Dinho’s dos Jardins. “Acho muito necessária essa passagem de bastão. É importante ela estar junto para aprender a nossa cultura, que é algo que a gente pega com o tempo”, diz ele. 

FOTO: Daniel Cancini

Rua Professor Azevedo Amaral, 70 – Jardins | Tel.: (11) 3016-5333
Alameda Santos, 86 – Paraíso | Tel.: (11) 3016-5333

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POR Cintia Oliveira
FOTO DESTAQUE: Daniel Cancini’
FOTOS: Daniel Cancini e Wellington Nemeth

 

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