O espaço cultural Cortina, localizado no centro de São Paulo, inicia uma nova fase ao reposicionar sua operação de bar e restaurante. Inaugurado em 2022 como Cineclube Cortina, o endereço passou a adotar apenas o nome Cortina e amplia sua proposta ao colocar a videoarte no centro da experiência oferecida ao público. A mudança acompanha uma reformulação do espaço térreo, que passou por obras para receber uma estrutura dedicada à exibição de conteúdos audiovisuais. O destaque é uma tela digital de 22 metros de extensão instalada ao longo da parede principal do salão, concebida para receber projeções de artistas visuais de diferentes regiões do país.
Segundo os sócios Raphael Barreto e Marcelo Sarti, a reformulação busca fortalecer a relação do espaço com as artes visuais. Com isso, o antigo conceito de cineclube dá lugar a uma proposta mais ampla, voltada a diferentes formas de expressão em vídeo. A iniciativa deu origem ao que os responsáveis definem como um “bar-de-ver”, conceito que se distancia do modelo dos chamados listening bars, estabelecimentos que têm a música como principal elemento de experiência, para priorizar a contemplação visual aliada à gastronomia e à coquetelaria.

FOTO: Divulgação/ Angelo Dal Bo
A nova estrutura conta com um sistema de projeção desenvolvido pelo artista visual e especialista em video mapping Cristhian Lins. A tela possui resolução de 11.340 x 1.080 pixels e foi projetada para exibir obras digitais em alta definição durante todo o funcionamento da casa. A curadoria audiovisual está sob responsabilidade de Gabriel Rolim, conhecido artisticamente como Rollinos, profissional que já desenvolveu trabalhos visuais para artistas e bandas como Tame Impala, Lauryn Hill, Boogarins e Mochakk. A programação prevê a participação de um novo videoartista a cada quinzena, complementada pela curadoria musical de Mariane Villas-Boas.
Além das projeções, o Cortina mantém sua agenda de shows e festas realizada no subsolo, consolidando uma programação que combina diferentes linguagens artísticas. A reformulação também incluiu intervenções no projeto arquitetônico. A estrutura original, assinada pelo escritório Metro Arquitetos, recebeu complementações do Estúdio Vértices, responsável pelo novo design de interiores e iluminação. O projeto priorizou a integração entre o público e as projeções. A iluminação foi ajustada para evitar reflexos na tela, enquanto parte do mobiliário recebeu cadeiras com rotação de 360 graus, permitindo diferentes ângulos de visualização das obras.
FOTO: Divulgação/ Angelo Dal Bo
A gastronomia continua sendo um dos pilares da operação. A cozinha é comandada pelo chef boliviano Checho Gonzales, enquanto a carta de coquetéis leva a assinatura da mixologista peruana Grecia Vascal, profissional com passagens por casas como Iccarus, Bar dos Arcos e Carnaval no Peru. O cardápio reúne referências da culinária latino-americana, especialmente da região andina. Entre as entradas estão diferentes versões de arepas, preparadas com massa de milho e recheios como bisteca de porco com queijo gratinado, queijo Canastra com tomate e abacate, e peixe empanado servido com molho de tomate e maionese de picles. Os frutos do mar também aparecem em preparações como ceviche e espetinho de lula acompanhado de presunto curado e creme de amendoim picante.
Nas opções principais, as chamadas cumbucas incluem combinações como coração de galinha com farofa de mate e molho béarnaise com coentro, arroz de camarão com lula e peixe ao açafrão, além de uma versão vegetariana com cogumelos, manteiga, vinagrete de cebolinha e crocantes de batata. A carta de drinks dialoga com o universo audiovisual. Os coquetéis recebem nomes inspirados em termos técnicos ligados à imagem e ao cinema, como Blur, Pan, Zoom, Frame e Lux. As receitas combinam ingredientes latino-americanos, notas salgadas, elementos cítricos e acompanhamentos comestíveis que complementam a experiência sensorial proposta pela casa.
FOTO: Divulgação/ Angelo Dal Bo
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FOTOS: Divulgação/ Angelo Dal Bo