Durante anos da minha vida, a minha rotina profissional exigia uma postura absolutamente inabalável. Sentada na bancada de um telejornal ao vivo, com a luz vermelha da câmera acesa e milhões de lares sintonizados, a expectativa implícita era clara: eu precisava ter todas as respostas, transmitir uma segurança blindada e nunca demonstrar incerteza. Era a busca incessante pela imagem da perfeição técnica e emocional.
No entanto, ao longo dessa jornada, nesta transição para o digital, descobri um segredo de bastidor que a televisão me ensinou, mas que o ambiente corporativo ainda reluta em aceitar: as conexões mais verdadeiras nunca aconteciam quando eu lia a notícia com a dicção mais impecável. Elas ganhavam vida naqueles raros momentos em que a voz embargava diante de uma fatalidade, em que um sorriso genuíno escapava do roteiro engessado, ou quando, em uma entrevista complexa, eu olhava para o convidado e dizia: “Eu não domino esse assunto. Você poderia me explicar?”. Ali nascia o respeito mútuo e o vínculo real.
Chegamos a junho, o exato meio do ano. Nesse marco temporal, nas empresas e na vida pessoal, o cansaço acumulado costuma bater à porta. As metas do primeiro semestre pesam sobre os ombros de líderes e equipes que, na tentativa de manter o controle, continuam vestindo a pesada “armadura da perfeição”. No mês passado, refletimos sobre a autenticidade e como a busca pelo irreal som da perfeição gera um silêncio estéril. Hoje, convido você a darmos um passo adiante: precisamos posicionar a vulnerabilidade não como uma fragilidade, mas como a mais refinada estratégia de crescimento (growth) e liderança moderna.
No ecossistema dos negócios e do marketing, fomos condicionados a expor apenas os troféus e os gráficos ascendentes. Queremos que nossas marcas apareçam impecáveis nas buscas do Google e perfis que pareçam vitrines de vitórias ininterruptas. Mas, sob a ótica da comunicação positiva, a perfeição afasta. Ela constrói um abismo invisível de vidro entre você e o cliente, entre o líder e a equipe. O excesso de polimento gera desconfiança em um mundo saturado de narrativas artificiais.
Para darmos autoridade científica a essa percepção, vale recorrer aos dados. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Binghamton revelou que líderes que demonstram vulnerabilidade e estão abertos a expor suas limitações são 60% mais propensos a construir relações de alta confiança dentro de suas equipes. Além disso, a renomada pesquisadora norte-americana Brené Brown, em seus extensos estudos sobre liderança corporativa, comprova que a vulnerabilidade não é sinônimo de fraqueza, mas sim a nossa medida mais exata de coragem. Segundo ela, não existe inovação ou criatividade sem que haja espaço para o risco e para a incerteza.
A Comunicação Positiva, portanto, não trata de maquiar crises ou criar um otimismo ingênuo. É sobre ter a coragem de comunicar a verdade com intenção e propósito. É o líder sentar com o time neste mês de fechamento e dizer: “Este projeto não alcançou o resultado esperado, mas o aprendizado nos deu a rota para o próximo semestre”. Quando você assume que não tem todas as respostas, você não perde o respeito; você abre espaço para a inteligência coletiva e humaniza os processos.
Para este período de balanços que junho inaugura, o meu convite como estrategista é que você faça uma auditoria humana na sua comunicação corporativa.
Onde você está gastando energia tentando parecer invulnerável?
Quais bastidores da sua empresa poderiam ser compartilhados com transparência para gerar empatia com o público?
Baixar a guarda exige coragem tremenda. Mas garanto: o crescimento sustentável, que retém talentos e fideliza clientes, não nasce de pedestais intocáveis, mas sim da nossa capacidade de sermos profundamente humanos. E este é o convite que a vida nos faz todos os dias. Nem toda pergunta merece resposta. Às vezes o seu silêncio fala muito mais que qualquer grande negócio.
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