Em pouco mais de uma década, o universo da influência digital passou por uma verdadeira transformação. Plataformas surgiram, algoritmos mudaram, formatos vieram e foram embora. Em meio a esse cenário de constante renovação, poucos criadores de conteúdo conseguiram atravessar todas essas mudanças sem abrir mão da própria essência. E é justamente aí que está a força de Lelê Burnier.
Com mais de 4 milhões de seguidores, a influenciadora se tornou uma das principais referências de moda e lifestyle do país e ajudou a popularizar no Brasil um formato que hoje domina as redes sociais: o Get Ready With Me (GRWM). Mas, mais do que mostrar looks ou rotinas de beleza, Lelê transformou o simples ato de se arrumar em um espaço para conversar sobre comportamento, carreira, relacionamentos e as pequenas inseguranças do dia a dia, uma combinação que conquistou uma audiência fiel.

FOTO: Divulgação/ Fernando Thomás
Da maquiagem às redes sociais
A história de Lelê começou em 2016, quando o Snapchat vivia seu auge. Na época, a ideia estava longe de se tornar influenciadora. Apaixonada por maquiagem e formada na área, usava a plataforma para compartilhar dicas de automaquiagem e produções de beleza de maneira despretensiosa.
O retorno do público veio naturalmente. À medida que sua comunidade crescia, ela levou o conteúdo para o Instagram e, junto com as mudanças da própria vida, novos assuntos passaram a fazer parte da conversa. Moda, lifestyle e comportamento surgiram de forma orgânica, acompanhando sua evolução pessoal.
“Eu nunca sentei e pensei: ‘vou me tornar influenciadora’. A profissão veio como consequência da consistência e da conexão que fui construindo ao longo dos anos”, conta.
FOTO: Divulgação/ Fernando Thomás
O GRWM que conquistou milhões de pessoas
Muito antes de o formato explodir nas redes, Lelê já apostava no Get Ready With Me ou Arrume-se Comigo. Inspirada por criadoras internacionais, percebeu que apenas mostrar o processo de se arrumar talvez não despertasse a mesma identificação entre o público brasileiro. Foi então que decidiu dar um toque pessoal ao conteúdo.
Enquanto se produzia, passou a comentar situações do cotidiano, pedir opiniões dos seguidores e dividir dúvidas, histórias e reflexões. O resultado foi uma conversa que ultrapassou a moda. “As pessoas não voltavam apenas para ver um look ou uma maquiagem. Elas voltavam pela conversa“, lembra.
Para ela, esse é justamente o segredo do sucesso do formato. “É parecido com aquela conversa que você tem com uma amiga enquanto se arruma para sair. Existe uma sensação de intimidade muito grande”, comenta.
Essa proximidade ajudou a consolidar Lelê como uma das precursoras do GRWM no Brasil e mostrou que, muitas vezes, o que mais conecta uma audiência não é a produção impecável, mas a sensação de estar dividindo um momento real.
FOTO: Divulgação/ Fernando Thomás
Moda como forma de expressão
A relação de Lelê com a moda começou muito antes dos desfiles internacionais. A formação em maquiagem não só ajudou a desenvolveu seu olhar para estética, fotografia e construção de imagem, mas também despertou uma percepção mais ampla sobre autoestima e identidade. Para ela, estilo nunca esteve ligado apenas às tendências. “Cresci observando alguém que se vestia para si mesma. Isso moldou a forma como enxergo a moda hoje”, diz ao falar da influência da mãe.
Essa visão também aparece nos conteúdos mais recentes. Em vez de ensinar regras, ela prefere compartilhar referências sobre moda, design, arte, decoração e criatividade, ampliando o repertório dos seguidores de maneira leve e acessível.
FOTO: Divulgação/ Fernando Thomás
O outro lado das semanas de moda
Hoje presença frequente nas temporadas de Paris e Milão, Lelê conhece de perto a intensidade que existe por trás dos grandes desfiles internacionais. Apesar do glamour que aparece nas redes sociais, a rotina envolve semanas de planejamento, produção de conteúdo, reuniões com marcas e uma agenda intensa de eventos. Com o tempo, ela aprendeu que nem tudo precisa ser registrado. “Hoje entendo que parte da experiência está em observar, absorver referências e entender os movimentos da indústria”, conta Lelê.
Outro aspecto que mais chama sua atenção são os bastidores. Segundo ela, um desfile de poucos minutos representa meses de trabalho de estilistas, ateliês e centenas de profissionais que transformam criatividade em peças que chegam às passarelas.
FOTO: Divulgação/ Fernando Thomás
Os valores que vieram de casa
Se a moda moldou sua carreira, foi dentro de casa que Lelê construiu a base da mulher e da profissional que se tornou. A mãe, que frequentemente aparece em seus vídeos e também conquistou o carinho dos seguidores, foi uma das maiores referências de sua vida. Mais do que elegância, ela transmitiu valores que hoje orientam suas decisões pessoais e profissionais. Entre todos os conselhos, um permanece especialmente vivo. “Não tenha pressa de viver a vida dos outros”.
Em um universo marcado por comparações constantes, a frase se tornou um lembrete diário para respeitar o próprio tempo e entender que cada trajetória acontece de maneira diferente.
FOTO: Divulgação/ Fernando Thomás
Uma década depois
Em 2026, Lelê completa dez anos produzindo conteúdo. Ao olhar para trás, acredita que o maior ponto de virada aconteceu quando deixou de tentar se encaixar em modelos considerados ideais para influenciadores e passou simplesmente a ser ela mesma. A experiência também trouxe uma conclusão importante sobre o mercado. “Construção de carreira é uma maratona, não uma corrida de velocidade”, afirma.
Na avaliação da influenciadora, plataformas mudam, tendências passam e algoritmos são atualizados o tempo todo. O que realmente permanece é a capacidade de criar conexões verdadeiras.
FOTO: Divulgação/ Fernando Thomás
Novos ciclos
A chegada aos 30 anos também trouxe novos interesses. Embora a moda continue ocupando um lugar central em seu trabalho, hoje ela se sente cada vez mais atraída por conversas sobre comportamento, amadurecimento, carreira, relacionamentos, viagens e bem-estar. Esse movimento também se reflete nos próximos passos da carreira.
Além do podcast apresentado ao lado da irmã, Lelê quer investir em projetos que existam fora das redes sociais, explorando colaborações criativas, curadoria e iniciativas ligadas ao universo da moda sob uma perspectiva mais estratégica.
Depois uma década diante das câmeras, ela segue apaixonada pelo que faz. A diferença é que, hoje, seu olhar está menos voltado para a velocidade das redes e muito mais para a construção de projetos com significado, capazes de atravessar o tempo da mesma forma que sua própria trajetória.
FOTO: Divulgação/ Fernando Thomás
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POR Beatriz Freitas
FOTOS: Divulgação/ Fernando Thomás
DIREÇÃO CRIATIVA: Miguel Mello
STYLING: Leandro Porto
MAQUIAGEM: Will Vieira
SET DESIGNER: Jean Labanca