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Domenico Fornara, Cônsul Geral da Itália em São Paulo, faz balanço de sua gestão na cidade

Ninguém melhor do que o Cônsul Geral da Itália em São Paulo para acompanhar o fluxo migratório entre os dois países. Domenico Fornara, 58, está completando seu mandato de quatro anos nessa missão soberana. Sampa é uma espécie de sucursal da Itália no Brasil, diante do volume de “paulistalianos” que vivem aqui, em perfeita integração – mas a cidade também “exporta” um significativo volume de cidadãos locais para a “Bota”. E esse processo tem tudo a ver com a atuação do Cônsul Geral na maior cidade do país. Na iminência de retornar à Itália, Domenico aguardará nova fatia do mundo para exercer sua missão diplomática Qual é a cidade natal de Domenico em sua amada Itália? Nenhuma. Ele nasceu em Belgrado, capital da Sérvia. Por acaso?Não. Ele é filho de diplomata – sua formação tem tudo a ver com a carreira paterna, sua herança genética. Acompanhando o pai pelo mapa mundi, frequentou escolas francesas e americanas e acabou se formando no ensino médio em Roma, onde se graduou em Economia e Negócios – e é quando se inicia seu périplo pelo Planeta Terra. 

Assuntos Humanitários 

Durante o conflito do Kosovo, na estreia de sua carreira diplomática, ele foi enviado à Embaixada italiana em Tirana, Albânia, como parte do compromisso humanitário da Itália, na chamada Missão Arco-Íris. De 2001 a 2004, foi responsável pelas relações comerciais e culturais na Embaixada da Itália em Trípoli, Líbia. De 2004 a 2008 foi chefe do Escritório para Assuntos Humanitários, Migração e Emergências na Representação Permanente da Itália junto à ONU em Genebra, Suíça. De 2008 a 2010, trabalhou no escritório responsável pela agenda política internacional na luta contra o terrorismo, o tráfico de drogas e o crime organizado. Como se vê, uma agenda pesada, mas integralmente diplomática. E era só o começo. De 2010 a 2011 foi chefe do escritório responsável pelas relações com o México, a América Central e o Caribe. De 2011 a 2015 foi Chefe de Missão Adjunto em Dakar, Senegal, também acreditado em Cabo Verde, Gâmbia, Guiné, Guiné Bissau, Mali e Mauritânia. Depois, embaixador na Uganda. Uma agenda pesada – mas fortemente humanitária, irrecusável, alcançando sobretudo refugiados. Resume ele: “A carreira diplomática é viver 10 vidas diferentes.”

FOTO: Divulgação

Primeira Classe 

Ele estima em 60% a quantidade de tempo que um diplomata passa no exterior. E diplomata não se escala – é escalado. Mas o cargo de Cônsul Geral de Primeira Classe em São Paulo, assumido em 2022, lhe caiu como uma luva de pelica. Seria sua escolha, se lhe coubesse – inclusive porque Domenico tem uma vida pessoal que não pode ser substituída pela missão diplomática – seus dois filhos, de 19 e 15 anos, foram também sua missão ao longo da carreira. São Paulo é um oásis diante da atribulada jornada mundial? “É uma cidade num país em paz, o que é muito bom”, resume. “Mas a demanda de serviços é enorme. E nosso grande desafio foi melhorar essa demanda.” Ele se refere a temas tipicamente consulares, assuntos comerciais e institucionais. “Não falta trabalho” e Domenico se rotula como “compulsivo” por trabalho, e isso inclui a questão de vistos de entrada de lado a lado. Para ir à Itália, brasileiros não precisam de visto se a viagem for de um prazo máximo de três meses. Acima disso, para trabalho ou estudo, o visto é requerido – mas segundo o cônsul, sem maiores dificuldades diante de documentação clara e límpida. Do outro lado, o consulado precisa encontrar a demanda de serviços exigida por italianos que aqui chegam – foram 54 mil no ano passado, majoritariamente “pessoas muito bem preparadas, que buscam aqui setores inovativos, incluindo empresários, arquitetos, professores” – ao contrário dos primeiros tempos da imigração, em que vinham de áreas pobres de seu país.

Como Domenico define esses quatro anos? 

”Missão intensa, ritmo de trabalho incrível, mas entusiasmante, porque tive a sorte de ficar aqui num momento de grande expansão, explosão mesmo, de relações bilaterais.” E isso inclui a vida pessoal de um diplomata italiano numa cidade famosa pela crescente presença de conterrâneos e seus costumes. Ele destaca um dos aspectos paulistanos que mais o seduz: oferta cultural farta. Lembra da ida dele com os filhos no concerto do Guns N’ Roses. E, mais recentemente, ao show de Bad Bunny no Allianz Parque – aliás, o estádio do italianado Palmeiras. Outro destaque óbvio da presença italiana em Sampa: a gastronomia. “Aqui sou fã da cozinha amazonense.” Mas poderia Domenico destacar algumas de suas preferências na cucina italiana servida em São Paulo? “É de excelente nível, mas não posso especificar.” Ok, estamos conversando com um diplomata. 

FOTO: Daniel Cancini

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POR Celso Arnaldo Araujo
FOTO DESTAQUE: Daniel Cancini
FOTOS: Divulgação e Daniel Cancini

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