Na primeira parte da nossa Copa das Comidas, passamos pelos Estados Unidos, México, Uruguai, Japão e até encontramos uma representante da Bósnia. Mas a competição está longe de acabar.
Desta vez, o roteiro ficou ainda mais variado. Tem o prato mais famoso do Brasil, uma releitura de uma receita canadense que foi difícil de encontrar, um clássico da culinária francesa, um prato compartilhado por três países do norte da África e um restaurante que reúne sabores de diferentes regiões do continente africano.
A disputa continua.
Bolinha Restaurante: Brasil
Depois da eliminação da Seleção na Copa de 2026, o sonho do hexa ficou para a próxima edição, mas na nossa Copa das Comidas o Brasil continua firme na disputa. E não tinha como escolher outro representante. A feijoada é, sem dúvida, o prato brasileiro mais conhecido no mundo e protagonista da nossa visita ao tradicional Bolinha Restaurante, no Jardim Europa. O diferencial da casa é servir feijoada todos os dias da semana, sem depender da tradição de quarta-feira ou sábado. Para provarmos, escolhemos a versão considerada mais “light”, que deixa de fora ingredientes como pé, rabo e orelha, mas continua muito bem servida com carne seca, costelinha, lombo, paio e calabresa. Na mesa, não podem faltar os clássicos acompanhamentos: arroz branco, farofa, couve refogada, torresmo crocante, laranja e, claro, molho de pimenta. Para quem quiser reforçar ainda mais a experiência, ainda há banana à milanesa, mandioca, linguiça e bisteca. É aquele tipo de refeição que representa perfeitamente a tradição da cozinha brasileira e faz qualquer visitante entender por que a feijoada virou patrimônio afetivo do país.
Av. Cidade Jardim, 53 – Jardim Europa
Trago Bar: representando o Canadá
Encontrar comida típica canadense em São Paulo foi uma das missões mais difíceis de toda a série. Depois de muita procura, encontramos uma releitura do famoso poutine no Trago Bar, na Barra Funda. O prato original leva batatas fritas, queijo em grãos e um molho quente de carne. Como alguns ingredientes são difíceis de encontrar por aqui, a casa criou uma versão adaptada. As batatas são rústicas, recebem carne desfiada cozida lentamente e queijo coalho, escolhido justamente por lembrar a textura do queijo tradicional canadense. O molho acaba deixando as batatas mais macias com o tempo, como acontece na receita original, mas o destaque realmente fica por conta da carne, extremamente saborosa. Talvez não seja uma reprodução fiel do poutine servido no Canadá, mas foi uma solução criativa e deliciosa para representar o país na nossa Copa das Comidas.
Rua Souza Lima, 174 – Barra Funda
Le Jazz Brasserie: França
Poucas culinárias carregam tanta fama quanto a francesa. Muito dessa reputação vem das técnicas que influenciaram cozinhas do mundo inteiro. Para representar a França, escolhemos um prato clássico que mostra exatamente essa tradição: o Boeuf Bourguignon. No Le Jazz Brasserie, em Cerqueira César, a receita traz carne cozida lentamente no vinho tinto, acompanhada de cogumelos, legumes, bacon e um purê de batatas extremamente cremoso. A história do prato também chama atenção. Apesar de hoje aparecer em restaurantes sofisticados, ele nasceu como uma receita simples dos camponeses franceses, que utilizavam o cozimento lento para amaciar cortes mais duros de carne. O resultado é uma verdadeira “comfort food”: carne desmanchando, molho encorpado e muito sabor em cada garfada.
Rua Dr. Melo Alves, 734 – Cerqueira César
Shoshana Delishop: Argélia, Marrocos e Tunísia
Algumas seleções dividiram a mesma vaga na nossa Copa das Comidas. Foi o caso de Argélia, Marrocos e Tunísia, países da região do Magrebe que compartilham um dos pratos mais tradicionais do norte da África: a shakshuka. Encontramos essa receita no Shoshana Delishop, no Bom Retiro, um restaurante de culinária judaica. A ligação faz todo sentido: durante séculos, comunidades judaicas viveram no norte da África e levaram essas tradições culinárias para outros lugares do mundo. O prato combina ovos cozidos diretamente em um molho de tomate, pimentão e especiarias. A versão servida no restaurante ainda pode receber linguiça merguez, feita com carne bovina ou de cordeiro, bastante tradicional na região. Cada país prepara a shakshuka com pequenas diferenças. Na Argélia, o molho costuma ser mais intenso; no Marrocos entram mais ervas e especiarias; já na Tunísia, a pimenta costuma aparecer com mais força. Servido com pão para aproveitar todo o molho, é um daqueles pratos simples que surpreendem pela quantidade de sabores.
Rua Correia de Melo, 206 – Bom Retiro
Biyou’z Gastronomia Africana: Costa do Marfim, República Democrática do Congo e Senegal
Essa parada também reúne vários países em um único endereço. O Biyou’z Gastronomia Africana, na Consolação, trabalha com pratos típicos de diferentes regiões do continente africano, e aproveitamos para representar três seleções de uma só vez. Da Costa do Marfim, experimentamos o Attiéké, preparado com um delicado cuscuz de mandioca acompanhado de peixe frito, vinagrete, tomate refogado e ovo cozido. Pela República Democrática do Congo, escolhemos o Madessu, um prato de feijão branco com azeite de dendê, arroz e carne refogada, daqueles bem completos e cheios de sabor. Já o representante do Senegal foi o Thiéboudienne, conhecido simplesmente como Thié na casa: arroz bem temperado servido com almôndegas de carne, legumes e batata-doce, que adiciona um leve contraste adocicado. Entre todos os pratos provados, esse acabou conquistando o título de favorito da visita. É uma ótima oportunidade para conhecer a enorme diversidade da culinária africana, que muitas vezes ainda é pouco explorada pelos paulistanos.
Rua Fernando de Albuquerque, 95 – Consolação, São Paulo
Se a primeira parte já mostrava que era possível dar a volta ao mundo sem sair de São Paulo, esta segunda reforça ainda mais essa ideia.
E o melhor é que essa disputa ainda não terminou. Afinal, enquanto existirem países na Copa, sempre haverá novos pratos para experimentar e novas histórias para descobrir.
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FOTOS: Acervos pessoais
