Aconteceu, entre os dias 27 e 31 de março, em Denver (EUA), o AAD Anual Meeting – Congresso Americano de Dermatologia, principal evento do setor. Todos os anos, o encontro de dermatologistas, é responsável por apresentar as maiores novidades em tendências, estudos, procedimentos e fórmulas cosméticas e nutracêuticas. “O meeting da Academia Americana de Dermatologia traz as principais novidades da área sempre com base em evidências científicas embasadas e robustas. É o principal evento para conhecer o futuro da Dermatologia, da beleza e do cuidado com esse paciente”, explica a farmacêutica Patrícia França, gestora científica da Biotec Dermocosméticos. Confira abaixo as principais tendências do congresso nesse ano:
SKINSPAN
As atenções se voltaram para longevidade cutânea, o “SkinSpan” e o chamado ‘O-face”, efeito colateral estético importante associado à perda de peso acelerada promovida pelos agonistas do GLP-1. “Trata-se de um envelhecimento estético que vai além da pele, afetando músculo, ossos e tecido adiposo dérmico que sustenta a microarquitetura e a integridade da matriz extracelular da face”, diz Patrícia. Ela explica que a redução do tecido adiposo dérmico, importante para a sustentação da pele, compromete a atividade de fibroblastos, favorecendo flacidez, perda de volume, ressecamento, e envelhecimento precoce, com perda de massa muscular e óssea. Nesse contexto, procedimentos como bioestimuladores, preenchedores, radiofrequência e lasers podem ajudar a recuperar volume e estimular a regeneração cutânea. Mas é preciso ir além, principalmente pensando que essas medicações serão levadas a ser de uso contínuo. “Apenas os procedimentos não são suficientes se a base metabólica do paciente não for tratada. Por isso, discutiu-se a importância da suplementação nutricional focada, por exemplo, no controle do estresse oxidativo e da glicação, o que pode ser feito por meio do uso do Glycoxil, antiglicante e desglicante capaz de impedir a perpetuação da inflamação crônica e a aceleração do envelhecimento celular. Já para garantir a preservação da densidade mineral óssea e a manutenção da massa muscular, ativos como Osteosil, VegProtein e Lipo PA são indicados em associação ao treino de força”, destaca Patrícia. Ela ainda recomenda a suplementação de ativos como Bio-Arct para dar suporte à atividade das mitocôndrias e combater fadiga causada pelo uso dessas medicações. “Quando há restrição energética prolongada, o organismo entra em um modo de preservação metabólica, priorizando funções vitais e reduzindo o desempenho energético global. Isso leva à chamada disfunção mitocondrial, em que as mitocôndrias, responsáveis por gerar energia para as células, passam a operar abaixo de sua capacidade ideal. Com o tempo, tecidos altamente dependentes de energia, como a pele e sistema imunológico, podem ser afetados”, detalha.
TOXINA BOTULÍNICA PARA ALOPECIA
No congresso, destacou-se uma abordagem ainda inicial, mas promissora, para a alopecia frontal fibrosante (AFF): o uso de toxina botulínica em baixas doses, aplicada de forma intradérmica. “A proposta se baseia na ideia de que a AFF envolve um componente neuroinflamatório, em que terminações nervosas liberam substâncias que contribuem para a inflamação ao redor do folículo. Ao atuar sobre esse mecanismo, a toxina botulínica seria capaz de aliviar os sintomas e desacelerar a progressão da doença”, comenta Patrícia França. Ela destaca que a abordagem abre uma nova perspectiva terapêutica ao atuar diretamente em um dos mecanismos mais recentes descritos na fisiopatologia da alopecia, mas ainda faltam ensaios clínicos robustos para consolidar essa indicação.
Atualmente, o tratamento envolve uso de corticoides tópicos ou intralesionais, imunomoduladores como a hidroxicloroquina e inibidores da 5-alfa-redutase, como finasterida, devido ao componente hormonal envolvido. Nos últimos anos, o manejo também passou a incluir terapias mais avançadas, como os inibidores de JAK e alguns imunobiológicos, além do uso de ingredientes tópicos e orais como parte de uma estratégia mais integrada de cuidado. “O uso de ativos como Optimealth 10W, Defenscalp e Pro.Renov em veículo pré-shampoo é interessante para ajudar a reequilibrar o microbioma do couro cabeludo, reduzir a atividade inflamatória e fortalecer a barreira cutânea, criando um ambiente mais saudável ao redor do folículo. Além disso, é interessante pensar na suplementação de ingredientes como Nourish Pro, para nutrição intracelular e hidratação da pele, F.C. Oral, para controle da inflamação, e o silício orgânico Exsynutriment, para oferecer suporte estrutural para o folículo piloso, sempre em conjunto com os inibidores de JAK, que que já estão disponíveis na área magistral”, acrescenta a farmacêutica.
NOVAS ESTRATÉGIAS PARA O MELASMA
Mais uma vez, o melasma figurou entre os assuntos mais comentados do congresso, principalmente com relação a novos tratamentos. Um exemplo é a aplicação emergente de toxina botulínica. Discussões recentes sugerem que a substância pode ter efeito antimelanogênico, com capacidade de inibir a atividade da tirosinase e reduzir a hiperpigmentação induzida pela radiação solar, apesar de mais evidências serem necessárias. Essa inovação está alinhada com uma mudança importante na forma de enxergar o melasma, que deixa de ser tratado apenas como uma alteração pigmentária para ser compreendido como uma condição multifatorial. “O melasma não é apenas uma alteração de pigmento. Hoje entendemos que envolve uma rede complexa de fatores, como inflamação, estresse oxidativo, alterações vasculares, glicação, dano de barreira e influência hormonal e ambiental. Por isso, faz sentido discutir terapias que ajudem a melhorar não só a mancha em si, mas também o terreno biológico que favorece sua persistência”, diz a dermatologista Dra. Valéria Marcondes, pós-graduada em Laser e Dermatologia pela Harvard Medical School.
Nesse contexto, foi reforçada a importância dos chamados PINGs (sigla em inglês para Photoprotective, Immunoprotection and Genome Stability). “Os PINGs se referem a um conjunto de mecanismos biológicos e bioquímicos que desempenham papéis críticos na defesa contra os danos causados pela radiação UV. São três níveis de proteção da pele: fotoproteção, imunoproteção e estabilidade genômica”, explica a especialista. Essa abordagem amplia o olhar sobre o tratamento e inclui estratégias que vão além da fotoproteção convencional, principalmente o uso de cosméticos com ativos antioxidantes potentes, como Alistin, Pro Shield e OTZ 10. “O Alistin é um peptídeo antioxidante e antiglicante capaz de proteger a membrana celular, as proteínas e o DNA da pele. Já o Pro Shield forma um escudo protetor na pele, inclusive contra a luz azul. E o OTZ 10, por sua vez, tem a capacidade de neutralizar os subprodutos tóxicos gerados pelo UVA e IRA, formando pro-taurina, que protege o DNA e combate o fotoenvelhecimento”, detalha Patrícia França.
RETINOL AINDA MAIS IMPORTANTE NO SKINCARE
O retinol, mais uma vez, esteve no centro das discussões, ganhando destaque como um ativo central na modulação dos chamados biomarcadores (hallmarks) do envelhecimento. “Eles são como guias do processo de envelhecimento no organismo e dos mecanismos que temos que combater para retardar seu progresso. E o retinol, muito além de apenas estimular a renovação celular, é capaz de atuar em múltiplas vias biológicas ao mesmo tempo, inclusive na matriz dérmica, estrutura responsável pela sustentação da pele que, quando degradada, leva à perda de firmeza, densidade e ao surgimento de rugas, sendo considerada hoje um dos marcadores mais relevantes do envelhecimento cutâneo”, diz a especialista. O congresso também destacou a chegada de novas formas do ingrediente, como retinóis de terceira e quarta geração, que prometem maior estabilidade, menor irritação e uma ação mais inteligente na pele. “No Brasil, já temos alternativas como o CycloRetin, um peptídeo retinol-like com ação superior na melhora de rugas, firmeza e densidade da pele. O ingrediente atua de maneira mais segura e suave na pele, aumentando o nível de conversão das enzimas receptoras do retinol que está naturalmente presente nas células, o que melhora seu aproveitamento. Assim, é capaz de potencializar as funções biológicas dos fibroblastos, reativar a expressão dos genes responsáveis pela produção de colágeno e elastina e melhorar a organização da rede de colágeno, com consequente melhora da firmeza e luminosidade da pele”, diz Patrícia França.
ABORDAGEM INTEGRADA DA QUEDA DE CABELO
A queda de cabelo apareceu no congresso dentro de uma abordagem mais ampla, que vai além dos tratamentos clássicos e passa a considerar outros fatores. “Hoje nós entendemos a queda de cabelo não dependente só de hormônios. Existe influência de inflamação, estresse oxidativo, qualidade do sono, alimentação, glicação, metabolismo e envelhecimento do próprio folículo. Isso não substitui os tratamentos já consagrados, mas ajuda a construir estratégias mais inteligentes e mais individualizadas”, diz a Dra. Valéria Campos.
Nesse sentido, uma das principais estratégias discutidas foi o manejo do estresse, além do uso de laser fracionado não ablativo (em baixas doses para tratamento da alopecia androgenética e envelhecimento capilar) e da suplementação. Um suplemento fundamental é, por exemplo, o silício orgânico Exsynutriment. “Exsynutriment é importante para os cabelos, pois um folículo piloso nutrido com silício e embebido em colágeno irá promover um incremento na produção de queratina fortalecendo os fios, evitando a queda e proporcionando mais resistência e elasticidade”, explica Patrícia França. Outro aspecto que integrou a conversa sobre o tema foi o uso de compostos com efeito antiglicante, como o Glycoxil, pela proteção contra danos relacionados à glicação. “A glicação participa do envelhecimento tecidual e pode comprometer a qualidade da pele e dos anexos cutâneos”, diz a dermatologista. “Estamos entrando em uma fase mais madura quando o assunto é cabelo. Não é sobre escolher entre remédio, suplemento ou tecnologia. É sobre entender o paciente, avaliar o estágio da miniaturização, enxergar os componentes envolvidos e montar uma estratégia combinada. Esse raciocínio faz muito mais sentido na vida real do que apostar em soluções únicas”, finaliza a Dra. Valéria Campos.
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