No ar desde os anos 40, a Pan – inicialmente Rádio Panamericana – se tornaria um ícone das comunicações ao chegar às mãos da família Amaral de Carvalho, sobretudo ao se renovar como “Jovem”, nos anos 60. Nos anos 1990, a empresa criou a rede nacional “Jovem Pan SAT”, uma das primeiras redes brasileiras de rádio via satélite, ampliando sua presença em todo o país. Desde então, o avanço, em audiência e qualidade, tem sido incessante: hoje um dos maiores ecossistemas de mídia do país, do áudio ao vídeo e ao universo digital, intermediada pela Internet, graças a uma equipe de múltiplos talentos, no esporte, no humor, na política, no noticiário – como os quatro novos craques do primeiro time da Jovem Pan que conversaram com GoWhere Business.
Fernando Pelegio: em busca da máxima qualidade
Ele é o mais veterano, em experiência, mas o mais jovem da Jovem Pan 2026. Fernando Pelegio, atuando no SBT por mais de 40 anos, foi anunciado em abril deste ano para assumir a direção artística e de programação da Pan, como estratégia de expansão da emissora, visando fortalecer a grade multicanal. Mas ele destaca um veterano ponto de contato com a Pan: “Eu e o Marcelo de Carvalho, vice-presidente da Pan, nos tornamos amigos ainda moleques”. Fernando chega agora para assumir o mesmo cargo que recebeu de Silvio Santos: diretor artístico. O que isso significa numa emissora de multiplataforma? “Ele cuida dos programas, da qualidade dos programas, mesmo os jornalísticos. Luz, câmera, timing, edição, fotografia. A estética é por minha conta.”
Jornalismo com humor?
Assumir essa responsabilidade numa grife do mercado de comunicações é um desafio. “Vim também sugerir novos programas e eventos para a TV aberta e YouTube – como o do Carioca, que vai comandar um talk show ao estilo do Danilo Gentili, às 22h30, de terça a sexta”. Jornalismo com humor, uma das marcas da Pan. Desde que chegou à emissora, na Avenida Paulista, Fernando cumpre uma rotina rigorosa, das 9h às 19h, assistindo tudo – da frente aos bastidores, com “sangue nos olhos”. Dá para relaxar nos fins de semana? Não exatamente. “Eu fico no fim de semana escrevendo, bolando, produzindo, assistindo, anotando”. Há muito o que ver, ouvir e aprimorar na Pan: 3 em 1, Morning Show, Direto ao Ponto, Pânico, Pingos nos is. Conclui: “Quero encerrar a carreira na Pan. Com colegas e amigos. Comecei a carreira com gente que hoje está aqui – a família Carvalho, por quem tenho muito carinho, admiração e gratidão”.

FOTO: Daniel Cancini
Evandro Cini: o tom da Pan desde cedo
É só começar a escutar Evandro, mesmo tomando um café, para você identificar um locutor de primeira. Sem artificialismos. É a voz dele, sempre. Formado em Jornalismo, começou como estagiário da TV Morena, afiliada da Globo no Rio Grande do Sul, fazendo a apresentação da previsão do tempo – sempre chamando a atenção quando falava bom dia. Sem impostação: “Minha voz é parecida com a de meu pai, mas trabalhada pela fono, mais elegante e mais confortável para quem a ouve”. Chegou à Pan em 2023, passando por vários programas, em áudio e vídeo. Este ano foi galgado para um clássico da Pan desde os anos 60: o Jornal da Manhã, das 7h às 10h, ao lado de Beatriz Frehner (a seguir), um sucesso matinal da rádio, TV e celular, associando som e imagem. “Por ser multiplataforma, qualquer pessoa pode assistir, em qualquer lugar. Estamos vivendo o futuro de maneira intensa, garantindo a Internet como protagonista. Nossa audiência é espetacular”. Mas não é fácil para quem faz o Jornal da Manhã. Evandro chega na Pan às 4 da matina – com todo fôlego e cordas vocais limpas. Não há reportagem gravada nessas três horas de programa, só ao vivo. Uma responsabilidade que Evandro, Beatriz e equipe tiram de letra. E de voz.
FOTO: Daniel Cancini
Beatriz Frehner: linda, leve e solta
Paranaense, começou sua carreira em Cascavel. De um estágio inicial, foi direto para uma afiliada da TV Cultura, onde faria redação, revisão e edição. E, claro, destaque como apresentadora de jornal – pela espontaneidade, voz sonora e eloquente, estética notável. Reconhece que, desde pequena, sempre foi comunicativa. Desde cedo, nos estágios, fazia um giro de notícias e previsão do tempo. Tudo isso com 18 anos. Aos 31, já tem, portanto, 13 anos de carreira. Ao longo dessa escalada, trabalhou no Grupo RIC – Rede Independência de Comunicação, que no Paraná engloba a Jovem Pan. Como repórter do Grupo RIC em Cascavel, fez alguns trabalhos como apresentadora do Balanço Geral e do Cidade Alerta. E foi promovida para Curitiba – lá assumindo a bancada da Jovem Pan para uma versão local do jornalismo. “Eu saía da rádio e ia direto para a TV continuar meu dia como repórter da Pan”. O convite de ascensão para a sede da Pan não demorou. “Sabe quando você sente que aquele desafio é para você naquele momento da sua vida? Foi em novembro do ano passado. Cheguei aqui em janeiro. Foi uma coisa que eu nunca tinha sentido antes. Sabe quando você não tem medo? Parece que é o meu lugar agora é ali. Tive essa sensação”. E teoriza: “Saber que a gente ocupa essa posição também como mulher, no meio de tantos homens que todos os dias falam sobre política e sobre economia, sem dúvida é muito relevante na representatividade e para mostrar que não existe qualquer diferenciação – porque a gente é capaz de alcançar qualquer espaço”.
Esperta desde às 5 da manhã
Não à toa: o convite já era para apresentar o Jornal da Manhã. É um ícone, um símbolo da Jovem Pan. “Uma grife do jornalismo radiofônico brasileiro. Uma potência impressionante. Estava nervosa e na noite anterior demorei um pouco para dormir. Cheguei na Pan às 5h – que é o horário que a gente chega hoje todo dia. E logo me acalmei. A estreia foi muito boa”. Lembra da roupa que usava? “Um conjunto azul-marinho, com terno, calça de alfaiataria, uma blusinha por baixo, sapato preto, cabelo liso.”
FOTO: Daniel Cancini
Sem fashionismo
Se Beatriz é muito ligada nessa questão de aparência, de moda, de roupa? “Eu gosto de ter uma identidade, né? Mas não sou fashionista”. A rotina não é fácil – com a vantagem, nesse caso, de que Beatriz é solteira e mora sozinha em São Paulo. “Além do horário, temos que compreender pautas novas, fontes, assuntos para apurar e se aprimorar. Então eu carrego isso bastante comigo. Mas tento trazer tudo com leveza também, embora a gente busque um índice de perfeição que é difícil manter todos os dias. Para isso, tenho minha rotina muito bem organizada”. Na qual não faltam os passeios diários com o cão Robson. “Não precisa ser uma coisa super sofisticada, super poética, erudita, para você se livrar de estresse, de cobranças. Pra mim, é a música. Eu coloco meu fone de ouvido e saio caminhando com meu cachorro.” Do habitat de Beatriz, Robson é a única criatura que não é ligada na Jovem Pan.
Fernando Rocha: bem-estar ao microfone
Ele se tornou um rosto ilustre da TV aberta ao comandar na Globo, durante 10 anos, o programa Bem-Estar, sobre saúde e qualidade de vida, além de horários conectados a todas as editorias da emissora. Foi uma nobre experiência, e pleno domínio sobre a dinâmica da apresentação. Ao sair, dedicou-se a projetos customizados em sua produtora ligada à saúde, principalmente na área da comunicação corporativa. “Estava feliz, mas sempre tive vontade de realizar um projeto que reunisse algumas características nas quais eu pudesse ter mais personalidade, que tivesse minhas digitais, que fizesse o olho brilhar. No início deste ano, veio o convite para reunião com Marcelo de Carvalho, na Pan. Sempre gostei muito da Jovem Pan, mas especialmente de um programa que acompanhei desde o início, o Morning Show. Se fosse o Morning Show seria demais – e era exatamente isso!”. Aceitou o convite, claro, para comandar uma “equipe fantástica, com muita sintonia”. “Ficou fácil imprimir minha marca pessoal quando existem outras marcas pessoais trabalhando em prol de uma única marca.” O dinamismo é intenso: “Agora, por exemplo, estamos fazendo esta entrevista no momento em que Lula e Trump estão se encontrando na Casa Branca e, em seguida, vamos gravar um bloco sobre os desdobramentos da coletiva que vai acontecer depois em Washington”.
FOTO: Daniel Cancini
Opinião formada sobre tudo?
Como Fernando Rocha define o Morning Show? “O programa é um farol de informação adicional a todas as informações que o ouvinte, o telespectador já tem. É um complemento importante para formar uma massa crítica a partir de coisas que acontecem no Brasil. Quem vai ver o Morning Show já sabe tudo o que aconteceu, mas talvez não tenha uma opinião formada. Eu diria que é um cardápio de opiniões . A gente tem um sofá em que recebe pessoas com muita alegria, mas também com muita discórdia. Eu acho que ninguém no rádio e na TV brasileira faz algo parecido nessas duas horas por dia. São pelo menos 10 a 15 assuntos por dia em que a gente pode navegar. Claro que isso exige da nossa equipe um lastro de informações muito grande. Ouço muitos podcasts, leio jornais, acompanho tudo que está acontecendo, e a equipe inteira está antenada.” E se alguém espera humor no programa, como se vê em vários momentos da Pan? “A gente tem uma premissa muito interessante: informação útil entregue de um jeito leve, um noticiário com algo mais, o noticiário com um complemento. Mas, evidentemente, não somos um programa de humor.” Não é o Pânico…. Com três meses de casa, Fernando diz ter muito orgulho de estar onde está, “com quem eu estou, da forma que eu estou, e entendo isso diariamente. Ninguém entra à toa nesse prédio, nestes andares aqui”.
FOTO: Daniel Cancini
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POR Celso Arnaldo Araujo
FOTOS: Daniel Cancini